Foto: O Povo
Jair Bolsonaro

Para alegria da “direita esclarecida” alagoana, nova pesquisa CNT/MDA mostra mais uma vez a liderança de Jair Bolsonaro na corrida eleitoral –levando-se em conta que Lula não será candidato. Embora seja isso mesmo o que vai ocorrer, num dos cenários o instituto ainda apresenta o nome do petista como alternativa. E, nesse caso, ele venceria em todos os cenários, no primeiro e no segundo turno. Mas, como disse, tal hipótese está descartada. Assim, vamos falar da realidade.

 

Sem Lula, os três primeiros colocados na pesquisa são Bolsonaro, Marina Silva e Ciro Gomes. Com esse cenário, nos desenhos de segundo turno, o deputado que adora um fuzil também aparece na frente de quase todos os eventuais finalistas com ele, com exceção de Marina; aí os dois aparecem empatados. Os números também traduzem o novo contexto após a desistência de Joaquim Barbosa, o candidato que foi sem nunca ter sido. Na verdade, o quadro que sai dos números não surpreende.

 

Outra vez, os novos dados apontam para a situação desesperadora do PT e do PSDB. O petismo não tem um Plano B para herdar os votos de Lula, o que já aparecia nos levantamentos anteriores. Já o tucanato, segura um fardo com a candidatura de Geraldo Alkmin. O ex-governador tem nada menos que 55,9% de rejeição – o índice de eleitores que dizem não votar no candidato de jeito nenhum.

 

A rejeição é um fator decisivo para o êxito ou o fracasso na disputa. Pelo que se tem agora, Alckmin precisa praticamente operar um milagre para reverter esse panorama desolador. A perspectiva imediata parece complicada diante da possibilidade de novas encrencas para ele no âmbito da
Justiça. A depender do noticiário, o tucano pode se enroscar ainda mais numa agenda negativa.

 

Por enquanto, voltando ao começo do texto, quem comemora é a turma da porrada e do achincalhe contra mulheres, negros, gays e minorias em geral. Quem festeja é o pessoal que considera direitos humanos conversa de marginal para proteger bandidos. É o Brasil dos “cidadãos de bem” que têm certeza de que todos os nossos problemas foram resolvidos depois da prisão de Lula.

 

Você já ouviu o alerta: estamos perto – e longe – da eleição; ou seja, até lá tudo pode mudar. E a pesquisa revela o sentimento imediato. Além do mais, outra lembrança óbvia e obrigatória é que a campanha não começou pra valer. Sim, há as redes sociais, os passeios, seminários e entrevistas. Mas tudo isso pode desabar quando a coisa pegar fogo no horário eleitoral e nos debates. É outra fase.

 

Precisamos falar sobre Ciro Gomes. Ainda não deslanchou, como ele age loucamente para ocorrer. O coronel do Ceará continua com aquele discurso esquizofrênico: esculhamba o mercado e o capitalismo selvagem numa esquina, mas, logo adiante, faz o mesmo contra o Estado pesado, sindical e corrupto. Ciro é uma conversa para cada plateia, e o contrário de hoje na fala de amanhã.

 

Ainda tem muito candidato na praça. E um bocado não passa de jogada. É só negociação.