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Não poderia ser diferente de jeito nenhum. É claro que o desabamento desse prédio na região central de São Paulo tinha que virar motivo de guerra política. Abandonado há alguns anos, o imóvel foi ocupado por famílias que não têm onde morar. E aí começam os problemas. A ocupação é obra de um dos movimentos de sem-teto que já invadiram dezenas de espaços na maior cidade do país.

 

Uma informação surpreendeu o Brasil: as famílias pagavam aluguel para o movimento que coordena invasões pela capital paulista. A conta mensal para cada grupo variava entre 200 reais e 400 reais. Do alto de minha ignorância como jornalista, sempre imaginei que invasores não pagassem nada; afinal, como indica a palavra, se eles invadiram o lugar, não seriam inquilinos. Mas não é bem assim.

 

Para piorar as coisas, várias pessoas que habitavam o prédio que veio abaixo acusaram os coordenadores do LMD (Luta por Moradia Digna) de abandonarem as famílias. LMD é a entidade por trás da ocupação não apenas desse imóvel, mas de vários outros em São Paulo. Até agora, o que foi revelado põe sob suspeita os métodos e os interesses do autodenominado movimento social.

 

Essas informações foram suficientes para algumas vozes da imprensa denunciarem o que seria uma verdadeira máfia sob a aparência de movimentos sociais. No fundo, os supostos ativistas que atuam nesse tipo de guerrilha urbana estão mesmo é garantindo uma renda e tanto. Pelos valores cobrados, e com a quantidade de ocupações, garante-se uma arrecadação milionária.

 

Não falta quem cobre explicações a Guilherme Boulos, o revolucionário do PSOL candidato a presidente da República. Ele é o comandante do MTST, o maior, mais atuante e mais barulhento dos movimentos que se apresentam como lutadores em nome da moradia para os pobres. O MTST também cobra aluguel? E os demais grupos, concorrentes na praça, também recebem a cada mês?  

 

Enquanto tais perguntas ainda não foram respondidas, e talvez nunca venham a ser, também existe a acusação do outro lado. “Estão querendo criminalizar os movimentos sociais”, apontam algumas assinaturas na imprensa, entre jornalistas, políticos e colunistas de toda ordem. Sim, quem é de esquerda diz uma coisa; quem está à direita defende outra versão. A marmota de sempre.

 

No meio dos ataques, também seria previsível que imediatamente alguém gritasse, indignado: “Fake news”. Não importa qual seja a informação, nem de que lado está a origem daquilo que se informa; a acusação de falsidade dos fatos parte de todos os envolvidos na disputa política – ou ideológica, se você preferir. Sem querer ficar em cima do muro, a briga não resulta muito boa para ninguém.

 

Agora, uma coisa me parece óbvia: o politicamente correto impede uma investigação pra valer sobre o aluguel cobrado aos sem-teto. É evidente que os responsáveis por isso vão se agarrar no argumento de que atuam em benefício dos excluídos. E ninguém quer correr o risco de receber o carimbo na testa de intolerante aos movimentos sociais. Nessas horas, até a Globo é de “esquerda”.