Foto: Reprodução/Internet Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Allan Teófilo Bandeira, 29 anos

No dia 30 de março, em Maceió, três jovens amigos saíram de casa, por volta de cinco da manhã, e até hoje não voltaram mais. Segundo as famílias, Maxsuelto Fernandes Tenório, Brunildo Matias Vitor Silva e Elton Carlos Nascimento Lino deixaram o Conjunto Selma Bandeira rumo ao bairro da Serraria. Lá, pretendiam pegar cocos em um sítio. A polícia fez buscas na área que o trio teria percorrido, mas não encontrou nada. Apenas vestígios. Vinte dias depois, o mistério continua a atormentar os parentes.

 

Dois meses antes do caso relatado acima, em primeiro de fevereiro, Humberto Thiago de Araújo Neto, 23 anos, sumiu após uma suposta abordagem de policiais militares, no bairro do Prado, também em Maceió. Um amigo que estava com ele conta que os dois foram levados para uma área no Pontal. Lá, esse amigo foi liberado, mas os militares continuaram com Humberto. Uma investigação na Corregedoria da PM, ao que parece, até agora não esclareceu praticamente nada. Em profunda tristeza, a família do jovem espera.

 

Em 23 de novembro do ano passado, Allan Teófilo Bandeira, 28 anos, pegou seu carro, no bairro da Forene, na capital, e rumou na direção do município de Satuba, não muito longe de sua residência. Segundo a família, ele disse que iria participar de um jogo de futebol com amigos. Não retornou mais para casa. Até hoje, quase cinco meses depois, não se sabe o que ocorreu com o rapaz. O carro que ele dirigia também não foi localizado. Parentes e colegas fazem campanha pela internet em busca de informações.

 

São situações diferentes, mas, pelo que a imprensa publicou, parece haver um ponto em comum nos três episódios: há informações concretas sobre os passos das vítimas, o rumo que tomaram e o suposto ponto final de suas trajetórias. Por alguma razão um tanto nebulosa, porém, as pistas evaporam a partir daí. As investigações emperram de modo desconcertante. O que falta à polícia para esclarecer esses casos? As respostas das autoridades têm sido lamentáveis. Parece que estão perdidas na escuridão.

 

Uma investigação desse tipo é sempre complexa. Se estamos diante de crimes, os criminosos obviamente tratam de dificultar a missão daqueles que tentam desvendar os fatos. Ocorre que isso não é novidade para os investigadores. A polícia deve ter mecanismos para enfrentar as dificuldades previsíveis em casos assim. Ou não temos no aparato da segurança pública os meios eficazes para o necessário trabalho de apuração? Como anda a Polícia Civil? Temos um serviço de inteligência pra valer? São dúvidas mais que pertinentes. 

 

Sei que há delegados e policiais seriamente engajados nas investigações desses três mistérios. A falta de resultados, no entanto, denuncia uma anormalidade. Enquanto isso, uma mãe, um pai, famílias inteiras têm suas vidas arrastadas pela angústia da incerteza, pelo drama da espera, pelo desespero. O Estado, que falha até agora, está em débito com todas essas pessoas, está em débito com a sociedade. Até quando?