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Um relato de uma mãe de um jovem de 17 anos sobre um caso de agressão policial ao seu filho chegou ao Cada Minuto na noite desta segunda-feira, 5, e está repercutindo nas redes sociais.

No texto, a mãe, que não quis ser identificada, afirma que seu filho foi “torturado por policiais militares” em frente à residência da família, no bairro da Ponta Verde, durante as prévias carnavalescas ocorridas no último sábado (3), na Orla de Maceió.

A mãe diz também que seu filho estava com amigos quando militares do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) passaram “empurrando quem tivesse pela frente”, e que seu filho assustado teria dito apenas “oxi”, quando foi “covardemente torturado”.

Ainda segundo a mãe do jovem, os policiais o levaram para uma tenda branca onde ele foi espancando de joelhos e de costas, por vários policiais. Disse ainda que o jovem foi ameaçado, para não contar a ninguém que tinha sido vítima de tortura, quando foi liberado.

A mulher enviou fotos que mostram as marcas das agressões, disse que tentou fazer exame de corpo delito, mas o local para realização do exame estava fechado e que o jovem está com a visão prejudicada.

No relato, a mãe ainda diz que o filho é estudioso, não tem envolvimento com ilícitos e que foi aprovado no Enem 2018.

Confira o texto publicado ela mãe nas redes sociais:

Truculência: "substantivo feminino. Característica ou particularidade daquilo que é brutal; que denota grosseria; atrocidade. Ação que demonstra excesso de violência ou crueldade." Diante dessa definição, venho registrar que meu filho, um jovem de 17 anos, foi covardemente torturado, por policiais militares, em frente à nossa própria residência, quando, alegremente, com mais dois amigos, foram olhar as prévias carnavalescas que estavam ocorrendo, em frente à barraca Lopana. Tal situação ocorreu quando o Bope passou empurrando quem tivesse pela frente com bastões, e meu garoto apenas assustado, disse: "oxi". Pronto, estava aí o motivo para que ele, que nunca levou um puxão de orelhas sequer dos seus pais, sempre muito educado e estudioso, fosse COVARDEMENTE TORTURADO, de joelhos e de costas, por vários policiais, dentro de uma tenda branca, na surdina, e depois ainda o largaram desmaiado num camburão, que postei nas fotos também, sem ventilação alguma e superlotado. Meu filho, quando liberado ainda foi ameaçado a não comentar com ninguém que os policiais tinham cometido esta tortura com ele. E ao subir em casa, num estado emocional terrivelmente abalado, tive forças suficientes, para prestar queixa na delegacia, após 3h de espera, tentamos fazer corpo delito, mas não estava aberto para tal exame, então corremos para realizar os exames médicos para ver o grau das consequências físicas da tortura. Sua visão está prejudicada, mas ainda não sabemos o grau da lesão. Já as consequências psicológicas, não se sabe a intensidade e nem quanto tempo durarão. Um garoto de família, que acabou de passar no Enem, sendo vítima de uma polícia despreparada e truculenta, em frente sua própria residência. Tal sinal de autoridade, mostra que podem nos humilhar. Tapas, murros, chutes. O ladrão não tem autoridade. Te assalta e vai embora. O PM pode te tornar um bandido. Te condena. Não tem preparo estrutural. Nem para proteger. Colocam a vida de inocentes em risco. E é motivo para nos sentirmos menos e não mais protegidos. Jamais esquecerei as palavras de meu filho: "Me senti assustado e refém deles, mãe. Eles nem me explicaram porque estavam fazendo aquilo comigo, não me pediram nem documento."

O Cada Minuto entrou em contato, por telefone, com a assessoria de imprensa da Polícia Militar, mas as ligações não foram atendidas, até a publicação desta matéria.