Foto: Arquivo / Cada Minuto Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Tribunal de Justiça

Reportagem do jornal O Globo revelou que 71% dos juízes, de todos os estados e do Distrito Federal, receberam nos últimos meses um salário acima do teto constitucional, que é de 33,7 mil reais. Em média, os marajás do Judiciário embolsaram mais de 42 mil reais a cada trinta dias. E ainda há quem acredite que a salvação do país está numa república dos togados.

 

A farra com o nosso dinheiro se repete no Ministério Público. Sempre excitados para apontar os desvios nos demais poderes e instituições, não se vê em nenhum jovem procurador ou magistrado a valentia para combater o drible permanente na lei. Ao contrário, agarram-se em explicações ridículas para justificar os privilégios abusivos. Para eles, a mamata é perfeitamente legal.

 

Como já escrevi aqui, falta uma Lava Jato nos tribunais e nas procuradorias estaduais e federais. É até desnecessário afirmar, mas isso não vai acontecer. Em entrevista à Globonews, a presidente do STF, Carmen Lúcia, falou sobre os rendimentos ilegais de seus pares. Na primeira resposta, já deixou claro que nada será feito para eliminar a indecência.

 

Para a presidente do Supremo, “é preciso agir também nos demais poderes”. Ou seja, mais uma vez, aponta o dedo para os outros. É sempre assim. O irresistível corporativismo é o fator determinante no que o Judiciário faz ou deixa de fazer. Estamos longe, muito longe mesmo, de uma ação capaz de atacar as mazelas históricas de um dos poderes da República. É uma tradição brasileira.

 

Não é bom negócio comprar briga com esse mundo paralelo e seus abastados alienígenas. Pelo país afora, jornalistas e veículos de comunicação vivem o inferno de enfrentar ações judiciais movidas pelos marajás. Essa é uma turma que, além de se achar no direito a privilégios absurdos, também se acha intocável. Poder descomunal e dinheiro de sobra nas mãos de uma casta: é o velho Brasil.