Assessoria Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true

Representantes da Secretaria de Estado da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos coordenaram, na manhã desta quarta-feira (30), reunião com os religiosos de Matrizes Africanas de Alagoas, que se mostraram indignados com a informação divulgada na imprensa de que Arlene Regis, acusada de matar seus dois filhos na última terça-feira, afirmou ser adepta da religião afro e que estava possuída por espíritos na hora do crime.

 

Diante dessa informação, foi produzida uma nota oficial, assinada pelo governo do Estado, babalorixás e Yalorixás de Candomblés e Umbandas se solidarizando com as famílias das vítimas, lamentando o fato ocorrido e informando a sociedade alagoana o posicionamento da religião de Matriz Africana sobre o caso, destacando que o objetivo da religiosidade afro é a preservação à vida, acima de tudo, e que não defendem os atos de magia negra.

 

A carta de repúdio deixa claro ainda “que nenhum espírito induz uma pessoa a matar”, nem cometer um ato bárbaro como o que aconteceu.

 

Os cerca de 30 religiosos presentes a reunião foram unânimes ao afirmar que os adeptos do Candomblé e da Umbanda nada têm a ver com o crime praticado e que a finalidade da Matriz Africana é a prestação de caridade e de cura.

 

Eles defendem ainda que o crime foi premeditado, tendo em vista que as informações divulgadas dão conta de que a acusada havia pedido desculpas ao seu irmão antes mesmo de cometer o crime, e que já havia feito ameaças ao marido.

 

“Não induzimos as pessoas a cometerem atos satânicos, como esta sendo mostrado. A própria imprensa também deixou claro que ela estava com problemas com o marido. Isso mostra que ela premeditou tudo”, afimou pai Marcos.

 

A reunião foi conduzida pela superintendente de Políticas e de Promocão da Cidadania e dos Direitos Humanos, Josilene Lira, e pela gerente do Núcleo Afroquilombola Elis Lopes.

 

“Abrimos espaço permanentemente para discussões que tragam políticas públicas de direitos humanos para os religiosos. Não podíamos ficar de fora em um momento como esse, onde a população, por não conhecer o objetivo da religião de Matriz Africana, de forma preconceituosa, discrimina mais uma vez a religiosidade em associar a religião de Matriz Africana em magia negra”, finalizou Elis Lopes.