Preço mais baixo não é o único atrativo. Lojas como Outlet online oferecem pontuação a cada compra que vira bônus para comprar mais. Associados a grandes marcas, esses portais, oferecem, após cadastro, vantagens de atacado sem precisar comprar grandes quantidades.

Ao contrário de liquidações tradicionais, há ofertas o ano todo. Os produtos não têm defeitos. “Garantimos a excelência. Não temos produtos com pequenas falhas. São mercadorias que não foram vendidas na época certa”, explica Sergio Baccaro, do Outlet Online.

A loja virtual, criada há apenas um mês, tem quase 5 mil vendas por dia e milhares de inscritos. Neste domingo, estão na vitrine um vestido Fórum, que custa R$ 411,67 e sai por R$ 247, e o boné da marca, de R$ 60 por R$ 36.

Já o Privalia adota tática diferente. Braço brasileiro da rede europeia, o site é um clube privado de compras com descontos de até 70%. Funciona desde o início do ano e tem 400 mil clientes. Estão no ar hoje ofertas como o jogo de cama Buettner casal 200 fios, de R$ 400 por R$ 199, e a blusa infantil da Marisol, que passou de R$ 29 para R$ 9.

Os descontos para público selecionado ampliam o alcance da marca sem queimar a imagem. “Negociamos direto com o fabricante. Oferecemos coleções passadas para não concorrer com o negócio dele”, conta Fabio Kadow, gerente de marketing do Privalia.

A NetShoes, de produtos esportivos, e a Lenovo, que vende computadores usados, são exemplos com seções outlet. Nos brechós virtuais não é incomum encontrar peças com pequenos defeitos, mas vale garimpar para encontrar verdadeiras joias: roupas de boas marcas quase sem uso e com ótimos preços.

A médica Fernanda Vieira, 25 anos, é dona do “Diário de Armário” e do “Era meu pode ser seu”. Ela conta que começou a vender suas roupas após três meses sem receber salário. “Olhava o armário e tinha tanta coisa. Achei boa a ideia do bazar e coloquei para circular”, lembra Fernanda, que também compra nesses blogs.

“Tive filho, engordei e as peças deixaram de servir ou não me agradavam mais”, diz Bianca Marques, do BiBazar, que também vende produtos que importa pelo E-Bay e usa a renda para comprar mais.

Marcas de luxo aderem, mas escolhem clientes

No mercado de luxo, a tática preferida são clubes de compra fechados. Para entrar, é preciso convite ou aguardar até 40 dias. Depois da espera, é possível encontrar grifes, principalmente importadas, até pela metade do preço.
Para Paulo Humberg, do Brands Club, outra transnacional do varejo em clubes, o caráter privado alimenta o desejo. “É como comparar uma festa aberta com uma particular. Na fechada, vão pessoas que têm a ver com você. Com a marca, é parecido”, explica Humberg.

No Superexclusivo, o alvo são pessoas com consumo das classes A e B. O clube foi o primeiro a importar o sucesso europeu, em 2007. “São marcas premium, que não querem prejudicar a imagem ou ver descontos agressivos”, comenta a diretora Juliana Messenberg. Entre as ofertas, estão óculos CH, que custam R$ 750 e são encontrados a R$ 300.

Monique Humbert, advogada, elogia a variedade que encontra. Ela já era cliente das marcas e agora espera para comprar mais no outlet: “Tem loja em que as pessoas brigam pelo produto, que pode ser o último. Na Internet, sempre vale a pena”, recomenda Monique.

CUIDADOS

Como em qualquer compra à distância, é preciso dar atenção à modelagem e ao tamanho, que podem variar de acordo com o fabricante. Vale pedir mais informações sobre o produto antes de fechar negócio.

Nos sites de ponta de estoque e clubes de compra, os vendedores prometem produtos sem defeito. Mas, se o cliente quiser, pode devolver o que comprou de graça pelos Correios, pelo prazo de sete dias. A entrega varia a cada pedido, mas deve ser informada e cumprida.

“A dificuldade de padronização numérica entre as marcas causa descontentamentos. Atenção aos prazos”, aconselha Gastão Mattos, do Movimento Internet Segura.