Decidido a participar do jogo eleitoral de maneira mais agressiva em 2010, o PTB prepara uma novidade que pode alvoroçar a disputa pelo Palácio do Planalto. Nesta sexta-feira (18), o presidente do partido, o ex-deputado federal Roberto Jefferson, disse estar trabalhando firme para apresentar o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, como um dos postulantes à cadeira a ser deixada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no final do próximo ano. Como já havia escrito em seu blog, o convite ao comandante do BC brasileiro já foi feito há 15 dias. "Se ele topar, é o nosso candidato do PTB à presidência do Brasil", afirma Jefferson.

Mas Meirelles ainda permanece em silêncio sobre a possibilidade de ingressar em uma sigla partidária e concorrer ao Planalto - outra possibilidade cogitada é a candidatura de Meirelles ao governo de Goiás. Dispostos a convencê-lo, além de Jefferson, também o líder do partido no Senado, Gim Argello (DF), deve ir ao encontro do presidente do BC nos próximos dias. "O PTB já havia feito um convite a Henrique Meirelles para que disputasse a presidência da República em 2010 pelo partido. Até agora ele não respondeu. Ficou de fazer uma agenda entre ele, o líder, senador Gim Argello, e eu, mas não retornou. O presidente do BC é um Plano B que poderia ser do Lula e nosso também", avaliou Jefferson em seu blog.

 

A ideia de provocar Meirelles a disputar o Planalto nasceu de uma conversa entre Gim e Jefferson, conta o petebista: "O Gim, quando me sondou, perguntou meio tímido se era o caminho (a candidatura de Meirelles), eu disse a ele que era um caminhaço para o PTB. Melhor do que apoiar uma aliança é ter uma candidatura própria."

Para o presidente do PTB, Meirelles tem "um perfil sereno" e pode ser "o efeito surpresa" na disputa. "Ele é o novo. E é o novo provado. Porque a construção do país passa pela política econômica e o que salvou o Brasil na crise foi a atuação dele. Ele tem a simpatia dos empresários, da classe média, das pessoas que pensam nesse país", avalia o petebista.

Questionado sobre a afirmação feita no blog de que o presidente do BC seria um "plano B" para a base governista, na hipótese de a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, não decolar, Jefferson evita falar em aliança com o Planalto. "Me tire desse negócio de aliança com o Planalto”, diz Jefferson. “Não sei se o Lula vai apoiar (o nome de Meirelles). A Dilma é uma grande administradora, mas é uma péssima política. Não creio que ela vá chegar ao final da disputa. Como disse o Aécio Neves (governador de Minas Gerais), na eleição, não é quem arranca na frente. É quem tem chegada. Ele é o efeito surpresa. Ele tem chegada", afirma Jefferson.

Na avaliação do presidente do PTB, o comandante do BC brasileiro tem condições de fazer frente à candidatura do PSDB, mas ele evita a definir se contra o governador mineiro, Aécio Neves, ou contra o governador de São Paulo, José Serra: “Meirelles é uma posição de centro e pode fazer frente às forças de centro, mas não quero nominá-las”.