O presidente da Eletrosul, Eurides Mescolotto, quebrou o silêncio sobre os contratos da estatal com empresas de consultoria, envolvendo seu filho Filipe Salvatti Mescolotto e sua nora Maria Solange Fonseca, ambos igualmente filho e nora da senadora Ideli Salvatti.

A conversa ocorreu na sua chegada a Florianópolis depois de uma viagem de trabalho a Curitiba, onde comandou reunião da diretoria. O material está na edição deste sábado do Diário Catarinense.

Acionado pela assessora da presidência, Rose Nascimento, ele concordou em falar sobre os contratos. Mas pediu para não ser gravado.

Pelo telefone, demonstrando serenidade, afirmou, inicialmente, que conhece Maria Solange desde 2003, quando ela trabalhava no Planalto com o secretário particular Gilberto Carvalho, cuidando da agenda do presidente Lula.

O contrato com a Sol Comunicação e Planejamento Estratégico, de Maria Solange, foi firmado em abril deste ano. Segundo Mescolotto, antes de ela se tornar sua nora.

— Ela veio para Florianópolis há um ano e entregou seu currículo para várias empresas. Fez proposta, venceu uma licitação, vinha prestando os serviços e a avaliação técnica da Eletrosul era positiva. Todas as formalidades legais foram cumpridas. Não houve qualquer contestação da Controladoria Geral da União, do Tribunal de Contas e da Aneel, que fiscalizam os atos da Eletrosul — assinalou.

Mescolotto garantiu que não toma conhecimento dos contratos de pequeno valor. Apenas aqueles envolvendo obras e serviços de grande porte. Sobre os contratos que beneficiam a nora, enfatizou:

— Não vi nenhuma imoralidade nisso.

Maria Solange não teria suportado a "pressão"

Mescolotto confirmou que o contrato foi rescindido dia 14 de setembro, por iniciativa de Maria Solange, que, segundo ele, não suportava mais as pressões e a repercussão que o episódio adquiriu nos meios políticos.

Ele alertou que a Eletrosul será prejudicada com a rescisão, porque terá que contratar uma nova empresa para completar o trabalho.

O presidente da Eletrosul confessa-se preocupado com os prejuízos políticos que a senadora Ideli Salvatti poderá ter com o episódio. Assegurou que a líder petista nada fez para viabilizar o contrato da nora com a Eletrosul. E está convencido de que tudo tem relação com a eleição de 2010.

— Começou a disputa política ao governo. As pesquisas indicam boa posição da senadora na corrida. Repito: não há nenhuma imoralidade no contrato. Ela (Maria Solange) tinha currículo, foi paga pelos serviços executados. É diferente de uma pessoa contratada que recebe sem trabalhar. Por isso, entendo que a repercussão superou muito o limite do razoável.

Segundo Mescolotto, os dirigentes da Eletrosul que contrataram Maria Solange "não sabiam que era minha nora, até porque ela virou nora há pouco, por circunstâncias da vida".

— Há outros contratos da Eletrosul com algum de seus familiares? — foi a pergunta final.

— Que eu saiba, não! —respondeu Mescolotto.