O governo de Alagoas, como um dos patrocinadores e incentivadores do evento, participou da abertura oficial da 10ª Feira da Reforma Agrária, montada na Praça da Faculdade. O mercado itinerante traz a produção dos assentamentos e acampamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em todo o Estado. São gêneros alimentícios livres de agrotóxicos e vendidos a preços módicos. A feira funciona até este domingo (13), e funciona das 5h às 23h.

Sobre as perspectivas destes cinco dias de atividades, a coordenadora estadual do MST, Débora Nunes, conta que o movimento espera mais de 400 toneladas de produtos comercializados. Cerca de 60 assentamentos e 50 acampamentos, de Delmiro Gouveia a Maragogi, com mais de 300 feirantes, comercializam frutas, verduras e animais.

O secretário-chefe do Gabinete Civil, Álvaro Machado, reafirmou a parceria do governo estadual junto ao federal, por meio do Incra, para que se avance com o mínimo de litígio possível na questão da Reforma Agrária. “O governo acredita que o desenvolvimento de Alagoas passa necessariamente pela Reforma Agrária e a apoia não só financeiramente, mas acompanha as ideias dos movimentos para que esse apoio se concretize verdadeiramente, caso contrário não faria sentido para nós”, pontuou Machado.

Por parte dos vendedores, a esperança e o entusiasmo são nítidos. José Petrônio, artesão acampado há nove anos em Pão de Açúcar, participa pela terceira vez da feira e diz que suas esculturas de madeira são sempre requisitadas. “Todas as vezes comemorei as vendas no final e, desta vez, sinto que repetirei a dose”, torceu.

Do mesmo sentimento compartilhava o apicultor Jaime Ribeiro. Sergipano do acampamento 13 de Maio, Jaime veio a Alagoas para dar aulas de apicultura para o MST em Atalaia, e acabou sendo convidado a participar da feira. Já hoje, uma boa leva de seus produtos — mel e derivados como própolis, pólen, favo e até sabonete — havia sido comprada.

Há também artesanato e uma exposição fotográfica na feira, cujo tema deste ano são os 25 anos de MST. E partir de 16h, a feira apresenta atividades culturais com grupos folclóricos, apresentações teatrais e shows. Já durante a noite, são exibidos filmes sobre movimentos sociais.

O superintendente do Incra em Alagoas, Gilberto Coutinho, ressaltou que, este ano, o Instituto contou com um orçamento de 85 milhões, que foram investidos em diversas ações nos assentamentos. “Os recursos são aplicados na construção e reforma de casas, no apoio inicial para famílias assentadas, no fomento à produção e na construção de estradas para acesso e de poços artesianos, além de voltar atenção ao Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera)”, destacou.

Para 2010, segundo Coutinho, o Incra espera crédito de 115 milhões junto ao governo federal.

Participaram ainda da abertura do evento o secretário de Estado da Agricultura, Jorge Dantas; o superintendente do Instituto de Terras e Reforma Agrária de Alagoas (Iteral), Geraldo Majella; o presidente estadual da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Isaac Jackson, os coordenadores da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Carlos Lima, e do Movimento de Libertação dos Sem-terra, Josivaldo Oliveira.