Davi Soares/CadaMinuto/Arquivo
Gilmar é um dos cães que sobreviveram ao envenenamento no Neafa

O fundador-curador e um gestor informal do Núcleo de Educação Ambiental Francisco de Assis (Neafa) serão convocados a depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga maus-tratos contra animais no Congresso Nacional, em Brasília-DF. O requerimento da audiência pública em que consta a oitiva dos convocados a prestar esclarecimentos sobre o caso foi apresentado à Câmara dos Deputados na última quarta-feira (19).

O motivo da convocação são as dúvidas sobre a responsabilidade pelo envenenamento de 30 cães, que resultou em 12 mortes, no Natal de 2014, além da constatação da Perícia Oficial do Estado sobre a existência de um cemitério ilegal de animais em terrenos do Neafa.

O requerimento, assinado pelo deputado federal Capitão Augusto (PR-SP), membro da CPI, traz a convocação do presidente do Conselho Curador do Neafa, Ismar Malta Gatto, e do homem tratado pelos funcionários e colaboradores da ONG como administrador, conhecido apenas como Erivaldo.

Além disso, o promotor de Justiça que acompanha o caso, Flávio Gomes da Costa, também deverá ser ouvido neste início de investigação da CPI.

Na justificativa para a aprovação da convocação, o deputado Capitão Augusto apresentou o pedido do deputado federal Maurício Quintella (PR) de que o caso do Neafa fosse incluído na CPI. Ele relata o envenenamento e as mortes dos cães e a denúncia de que os animais estariam sendo enterrados em um cemitério clandestino, casos que configuram crimes ambientais.

O envenenamento e morte dos animais ganhou este novo desdobramento com a inclusão do caso na lista de fatos a serem investigados pela CPI que foi instalada no último dia 6 de agosto e teve seu plano de trabalho aprovado no dia 13, na Câmara dos Deputados, em Brasília-DF.

As denúncias de irregularidades na ONG e as suspeitas sobre o gestor informal Erivaldo foram reveladas em primeira mão por reportagem do CadaMinuto Press, em fevereiro.

Caso nebuloso

Ao Blog do Davi Soares, Quintella disse que conversou com o presidente da CPI, deputado federal Ricardo Izar (PSD-SP), e, como liderança do PR, determinou que fosse feito o levantamento de matérias publicadas referentes ao caso do envenenamento, cujos depoimentos de testemunhas levantam suspeitas sobre uma cruel política de contenção despesas que seria executada por Erivaldo.

“Tem muito pouca explicação do caso. O Neafa protege o gestor, diz que era um colaborador, nem tem o sobrenome do cara, só o nome [Erivaldo]. E aí vamos ver se a gente aproveita a CPI para fazer esses esclarecimentos. É um assunto de extrema repercussão e a CPI é uma boa oportunidade de se fazer esse debate. E também vamos entrar em contato com representantes da causa da defesa dos animais em Alagoas, para que também relatem casos que também possam ser incluídos na CPI”, disse o deputado federal do PR de Alagoas ao Blog do Davi Soares.

Inquérito sobre o Neafa está próximo de ser concluído, diz delegada

O inquérito policial que investiga o envenenamento de 30 cães, que resultou na morte de 12 deles, do Neafa está próximo de ser concluído, segundo informou, esta semana, a delegada Talita de Aquino, responsável pela condução do inquérito.

Sem repassar maiores detalhes sobre o caso e se a recente descoberta de um cemitério clandestino trouxe à tona novos rumos à investigação, a delegada informou que só irá se pronunciar sobre o inquérito depois que todo o material for analisado.

“O caso já está próximo de ser concluído, mas só vou me pronunciar com alguma informação mais concreta depois que analisar tudo. Eu não tenho como analisar um fato isolado”, afirmou a delegada Talita de Aquino.

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