O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse em entrevista que foi ao ar na noite desta quinta-feira (3) pela Globo News que que o petróleo existente na camada do pré-sal, em águas ultraprofundas, não é uma “vaca leiteira” em termos de geração de dinheiro.

 

Durante o programa “Espaço Aberto”, apresentado pelo jornalista Carlos Alberto Sardenberg, o executivo disse que a grande vantagem das áreas do pré-sal é que elas são gigantescas e têm “enormes potenciais” de exploração do óleo com baixo risco.

 

Segundo Gabrielli, a previsão de investimentos da estatal só na exploração do pré-sal é de US$ 111 bilhões até 2020, o que deve gerar uma produção de 1,8 milhão de barris por dia até a data.

Perguntado se a margem de ganho da estatal não seria baixa com o petróleo cotado em torno de US$ 65 no mercado internacional, Gabrielli disse que o projeto é viável. “O pré-sal não é uma vaca leiteira, gerador de caixa, mas é um projeto viável”, afirmou o executivo.

 

Volume de petróleo

Segundo ele, o custo para exploração das reservas de Tupi, área do pré-sal em que os testes de produção estão mais adiantados, fica abaixo de US$ 45 por barril. Segundo ele, a estimativa é de que apenas em três dos campos do pré-sal – Tupi, Iara e Parque das Baleias – a produção seja de algo entre 9,5 e 14 bilhões de barris. Volume que, segundo ele, representa o dobro das reservas brasileiras em produção atualmente.


“A expectativa do mercado é que (o pré-sal) é um enorme quantidade de reservatório e é verdade. [...] A grande vantagem do pré sal é que é uma gigantesca área para o desenvolvimento de novas atividades com enormes potenciais exploratórios com baixo risco exploratório”, disse.

Desafios da exploração

O executivo disse que a tecnologia necessária para a exploração do óleo, localizadas a cerca de 7 km abaixo do nível do mar, já é conhecida pela companhia.

“A grande incógnita que nos temos nesse momento que nós não conhecemos é como o reservatório se comporta. Nós não sabemos exatamente qual vai ser a reação da natureza com o sistema de produção em funcionamento. A única forma de conhecer isso é começar a produção”.


De acordo com o presidente da estatal, haverá mais respostas sobre o tema em 2010, quando terminarem os testes de produção já iniciados em Tupi, que darão “informações preciosas” sobre o funcionamento da produção nas áreas do pré-sal e poderão permitir até reduzir o custo de produção por barril.

 

Crescimento da indústria

Para Gabrielli, outro desafio para a produção das reservas é a ampliação da capacidade de produção dos fornecedores que atendem a indústria petroleira que, segundo ele, já trabalham no limite da capacidade mesmo antes do início das operações de exploração do pré-sal.


“Hoje para atender a demanda atual nós temos vários setores chegando à capacidade plena. [...] Como nós vamos ter mais áreas e mais atividades em função do pré-sal, nós vamos ter que acelerar mais ainda essa construção da cadeira produtora de fornecedores brasileiros”, diz.

 

Capitalização

O presidente da estatal voltou a ressaltar que o processo de capitalização da empresa, anunciada pelo governo para levantar dinheiro para aumentar a capacidade da estatal de investir na exploração do petróleo do pré sal. Parte da capitalização será feita por meio de cinco bilhões de barris que serão cedidos pela União à Petrobras. Em troca, a Petrobras emitirá novas ações no mercado.

 

"A capitalização vai ser um movimento muito interessante porque ele é absolutamente de acordo com as leis das S.A.s. Os minoritários terão todos os direitos de exercer a preferência", diz.

 

Petro-Sal

Segundo o executivo, a função da nova estatal a ser criada pelo governo será a de fiscalizar a ação da Petrobras e garantir que o governo tenha o máximo de lucro possível sobre a exploração do óleo.

 

"A Petro-Sal vai ser a supervisão da União sobre a operadora. A ANP continuará tendo papel importante como reguladora.[...] Eu acho que a Petro-Sal é o olho do governo. Uma empresa totalmente controlada pelo governo."