O diretor de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, Eduardo Hage, afirmou que só agora a produção do Tamiflu é suficiente para atender a demanda comercial. Hage assumiu que, até então, a prioridade era a distribuição nos governos, em uma mostra de que a política de restringir a distribuição do medicamento escondia, na verdade, problemas em sua produção. Assim, nos próximos meses, o medicamento estará disponível nas farmácias.

- O próprio laboratório priorizou a demanda do ministério, o que foi correto. Na medida em que foi aumentando a sua capacidade, ele informou que vai ter disponibilidade de atender nossa nova demanda, bem como comercializar o medicamento. A partir do momento em que oficializarem, vamos nos manifestar mas não há nenhum problema - disse, antes de rebater as críticas sobre a falta de estoque do remédio.

Após o Ministério da Saúde anunciar que o Tamiflu será comercializado, o infectologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Celso Granato, afirmou que distribuição do remédio pode acelerar a resistência do vírus ao remédio. O maior temor de Granato é o uso descontrolado da medicação.

- A gente sabe que quando drogas são dirigidas contra um vírus, eles desenvolvem resistência com certa rapidez - disse.

Para evitar esse risco, Eduardo Hage ressaltou que o uso do Tamiflu é indicado apenas para os casos graves da gripe suína e para as pessoas que têm fator de risco. Além disso, Hage avisou que o medicamento só será vendido mediante prescrição médica e monitoramento.

- Nós nos pautamos pelas evidências científicas, mas há países que tratam com Tamiflu qualquer síndrome gripal -afirmou.