Operação prende 21 ladrões que agiam na região da 23 de Maio

  • Redação
  • 04/09/2009 01:03
  • Polícia

Foram 40 dias de investigações. Policiais se vestiram como mendigos e usuários de drogas. Também arrumaram um apartamento de onde filmaram o que se passava entre o Viaduto Galvão Bueno, na Liberdade, e o Viaduto Julio de Mesquita Filho, na Bela Vista, centro de São Paulo. A Operação Liberdade prendeu 21 pessoas que roubavam mulheres motoristas paradas no trânsito e traficantes de drogas que trocavam bolsas, telefones celulares, joias e relógios por pedras de crack e porções de cocaína e de maconha.

Os roubos aconteciam na ligação leste-oeste e na Avenida 23 de Maio e as prisões foram feitas de 18 de agosto até 2 de setembro. Ao todo, 13 policiais do Grupo de Operações Especiais (GOE) se disfarçaram para surpreender os ladrões em ação. A primeira providência foi tentar compreender como funcionava a dinâmica do crime na região. Essa fase durou dez dias. Depois vieram as filmagens e as prisões.

Os bandidos aproveitavam o período de rush da tarde para atacar as motoristas paradas no trânsito. Adolescentes e jovens de até 30 anos passeavam por entre os carros. Quando encontravam mulheres sozinhas, quebravam os vidros dos veículos e fugiam com as bolsas da vítimas - a polícia estima em uma centena as vítimas dos bandidos, mas apenas 30 prestaram queixa no último mês.

Os policiais descobriram ainda que todos aqueles roubos eram praticados por usuários de drogas. Seguindo os ladrões, os investigadores verificaram que eles rumavam até um terreno da Prefeitura ao lado do Viaduto Galvão Bueno, na Liberdade, região central. Ali um grupo de traficantes criou um ponto de venda de drogas. O lugar seria controlado por Rodrigo dos Santos Mendes, de 26 anos, e Gilberto Rocha Martins, de 28.

A primeira prisão em flagrante feita pelos policiais foi um caso de furto praticado por um adolescente e um adulto em um carro estacionado perto da Rua Galvão Bueno, na Liberdade. No dia 19 de agosto, um outro adulto foi preso em flagrante, por roubo. "Quando o crime ocorria, os policiais intervinham para fazer as prisões", disse o delegado Marco Antônio Paula Santos, diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap).

Apesar das prisões, os ladrões continuaram a praticar os roubos e furtos. Em um dos casos, dois adolescentes passaram ao lado de um carro parado na Avenida 23 de Maio e subiram a rampa em direção ao viaduto. Um deles abraçou o que pensava ser um mendigo e disse: "A bolsa tá no banco da frente". Eles não sabiam que o homem sentado na grama era um policial. Passaram alguns dias para os usuários de crack perceberem que as prisões não eram acidentais.

 

"Até um dia que um dos traficantes abordou nosso policial, perguntando o que ele estava fazendo ali", disse o delegado. O policial estava vestido como mendigo, e o bandido lhe disse: "Tem uns verme (sic) vestido igual você prendendo nosso pessoal." No dia 28 de agosto, chegou a vez dos traficantes. Os policiais estouraram o ponto de venda de drogas e detiveram cerca de 20 pessoas no terreno, entre usuários e bandidos.

 

O lugar era cercado por grades. Ali foram apreendidas 59 pedras de crack, 14 porções de maconha e 14 de cocaína, além de dois revólveres calibre 38 e uma pistola calibre 380. Havia ainda três facas, tudo material usado nos roubos. Sob a acusação de tráfico, foram detidos seis acusados, entre eles os supostos chefes do lugar. Ao todo, os policiais do GOE fizeram dez prisões em flagrante durante a operação - a maioria delas foi filmada.