A abstenção do consumo de álcool pode estar associada com um maior risco de depressão, segundo estudo da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia. De acordo com os pesquisadores, reconhecidamente, o consumo excessivo de álcool pode prejudicar a saúde física e mental, porém os resultados de um estudo com 38 mil pessoas indicam que aqueles que bebem com moderação têm menor risco de ter sintomas de depressão do que aqueles que não consomem bebidas alcoólicas.

Publicada na revista científica Addiction, a pesquisa indicou que as pessoas que reportaram nenhum consumo de álcool em um período de duas semanas tinham mais chances de reportar sintomas de depressão do que os "bebedores moderados". Os autores destacam que 14% dos "abstêmios" admitiram já terem sido "bebedores em excesso" no passado, mas isso não explicaria o maior risco de depressão entre as pessoas que não bebem. Outros fatores, como idade, problemas de saúde física e o número de amigos próximos que consumiam álcool também não puderam, na pesquisa, explicar essa relação.

Os autores concluíram que o consumo de álcool pode fazer parte de um estilo de vida saudável, desde que seja em moderação. Isso não quer dizer que as pessoas que não bebem devam começar a consumir bebidas alcoólicas, pois algumas pessoas podem ser mais vulneráveis aos efeitos prejudiciais da bebida. Em relação à depressão, segundo os pesquisadores, "em sociedades em que o uso do álcool é norma, a abstinência pode ser associada com ser socialmente marginalizado ou com traços particulares de personalidade que podem estar associados a doenças mentais".