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Quatro anos após o brutal assassinato de Maria de Lourdes de Melo, as cenas que sucederam sua morte ainda estão vivas na memória do pedreiro Adriano José dos Santos, que era casado com a vítima na época do crime. Ele afirmou em juízo ter presenciado o crime e apontou Willians Vicente dos Santos e outros três comparas como os autores da morte da mulher.

Adriano foi ouvido pelo juiz Geraldo Cavalcante Amorim e detalhou os momentos que viveu de terror ao ter a casa invadida pelos criminosos que executaram e esquartejaram sua esposa. “Quatro pessoas encapuzadas invadiram minha casa durante a madrugada. Um deles era o Willians e o outro o Gabinha. Eles apontaram o revólver para a minha cabeça, mas disseram que queriam ela. Eles a mataram e cortaram sua cabeça. Depois disso, comecei a ser ameaçado”, relembrou.

O pedreiro contou ainda que Cremilda não estava presenta no dia do crime, mas que ela foi a responsável por retornar à casa e ameaça-lo. “Ela roubou celulares e um forno micro-ondas para vender e comprar drogas”, detalhou.

Apesar de não apontar motivos sobre a morte de sua esposa, Adriano disse que Maria de Lourdes trabalhava como diarista na residência dos pais de um tenente do Bope. Ela tirava folgas no lugar da tia de Gabinha, mas não soube afirmar se ela teria comentado algo sobre o tráfico de drogas aos patrões. “Acho que por isso ela tenha sido morta, não acredito que ela tenha comentado algo. Talvez a tia do Gabinha falou algo para o sobrinho, mas não sei ao certo”, disse.

Adriano hoje mora apenas com um dos filhos junto com sua atual esposa. Os outros filhos moram com os avós no interior de Alagoas. “Quero apenas justiça, pois tudo foi muito triste. Desfizeram uma família e todos os dias penso nisso”, completou.

O julgamento

Antes do início do julgamento, o juiz Geraldo Amorim relembrou a crueldade na morte de Maria de Lourdes. “Não posso me pronunciar agora sobre o crime e o julgamento. Mas foi um crime brutal, com evidente requinte de crueldade”, disse, informando ao CadaMinuto, que o julgamento pode seguir durante todo o dia.

O promotor José Antônio Malta Marques disse esperar a condenação dos acusados. “Para este crime, a acusação poderia mostrar apenas os recortes de jornais que, por si, já revelariam a brutalidade do crime. Em 20 anos de profissão, nunca tinha visto tamanha crueldade.”, disse Marques.

Os integrantes da quadrilha, juntamente com outros cinco menores – que serão julgados pela Vara da Infância pelo mesmo crime – integravam a chamada “Gangue do Facão”, que costumava cortar a cabeça de suas vítimas.

Um quarto adulto, Bruno Robertto Estevão do Rosário, acusado de envolvimento no homicídio, aguarda julgamento de um recurso e não irá a julgamento nesta segunda.

A promotoria informou ainda que a expectativa é que os acusados respondam pelo crime de homicídio triplamente qualificado, com a pronúncia dos envolvidos no crime nas penas do artigo 121 do Código Penal Brasileiro, por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa do ofendido.

Willians e Jamison serão defendidos pela Defensoria Pública, enquanto Cremilda Nicolau dos Santos terá um advogado particular, o Geordany de Melo Nunes.

De acordo com Nunes, Cremilda não participou da execução de Maria de Lourdes, mas furtou um micro-ondas da casa da vítima um dia depois de sua morte. “Cremilda estava na cena do crime, pois estava na esquina de casa, mas não participou do crime”. Antes do assassinato, a dupla estava bebendo na casa de Cremilda.