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Atualizada às 10h27

Antes do início do julgamento dos réus acusados de matar e decapitar a dona de casa Maria de Lourdes de Melo, no conjunto Carminha em 2011, o promotor José Antônio Malta Marques afirmou que acredita na condenação de Willians Vicente dos Santos Ferreira (Língua), Jamison Jonas dos Santos Luna (Paulista) e Cremilda Nicolau dos Santos (Kel) pelo crime. O júri está sendo conduzido pelo juiz Geraldo Cavalcante Amorim no Fórum da Capital, no Barro Duro.

Antes do início do julgamento, o juiz Geraldo Amorim relembrou a crueldade na morte de Maria de Lourdes. “Não posso me pronunciar agora sobre o crime e o julgamento. Mas foi um crime brutal, com evidente requinte de crueldade”, disse, informando ao CadaMinuto, que o julgamento pode seguir durante todo o dia.

O promotor José Antônio Malta Marques disse esperar a condenação dos acusados. “Para este crime, a acusação poderia mostrar apenas os recortes de jornais que, por si, já revelariam a brutalidade do crime. Em 20 anos de profissão, nunca tinha visto tamanha crueldade.”, disse Marques.

Os integrantes da quadrilha, juntamente com outros cinco menores – que serão julgados pela Vara da Infância pelo mesmo crime – integravam a chamada “Gangue do Facão”, que costumava cortar a cabeça de suas vítimas.

Um quarto adulto, Bruno Robertto Estevão do Rosário, acusado de envolvimento no homicídio, aguarda julgamento de um recurso e não irá a julgamento nesta segunda.

A promotoria informou ainda que a expectativa é que os acusados respondam pelo crime de homicídio triplamente qualificado, com a pronúncia dos envolvidos no crime nas penas do artigo 121 do Código Penal Brasileiro, por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa do ofendido.

Willians e Jamison serão defendidos pela Defensoria Pública, enquanto Cremilda Nicolau dos Santos terá um advogado particular, o Geordany de Melo Nunes.

De acordo com Nunes, Cremilda não participou da execução de Maria de Lourdes, mas furtou um micro-ondas da casa da vítima um dia depois de sua morte. “Cremilda estava na cena do crime, pois estava na esquina de casa, mas não participou do crime”. Antes do assassinato, a dupla estava bebendo na casa de Cremilda.

O crime

Os acusados, acompanhados por outros menores teriam invadido a residência da vítima que estava dormindo na companhia do esposo e três filhos. Depois de atirar em Maria de Lourdes o grupo a decapitou e arrancou um dos seus braços. Os acusados ainda colocaram a cabeça da vítima em uma estaca e chegaram a escrever no muro a palavra “cabueta”.

O motivo que teria gerado a ira do bando foi a suspeita de que Maria de Lourdes teria denunciado uma quadrilha envolvida com tráfico de drogas no Conjunto Carminha para um policial do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Ao saber do caso, o chefe do grupo, José Cícero Dionisio dos Santos, à época preso no Baldomero Cavalcante, ordenou a seu número dois, Jamison Lima, conhecido como Paulista, que “cuidasse” da doméstica, deixando claro que se tratava de um recado dele.

Dionísio, como era mais conhecido na comunidade do Carminha, morreu em 2014 durante uma troca de tiros no município de Piranhas.