Ambientalistas ligados ao grupo Greenpeace realizaram neste sábado (28) manifestação em oito capitais do país em apoio à Conferência das Partes (COP 15) da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima. A conferência, considerada o encontro mais importante da história recente em termos de acordos internacionais envolvendo questões ambientais, será realizada em dezembro em Copenhague, na Dinamarca.

Segundo a Agência Brasil, os integrantes da ONG alertaram a população sobre a necessidade de preservar o meio ambiente e adotar políticas públicas para a defesa da natureza, como o fim do desmatamento e a produção de energias de fontes renováveis. O grupo está colhendo assinaturas para que o presidente Lula participe da COP 15, ao invés de enviar apenas representante.

“Essa é uma reunião histórica, onde vão ser definidas as medidas que cada país deverá adotar para ajudar no combate às mudanças do clima”, disse o coordenador do grupo em Brasília, Bernhar Rocha Coimbra, em entrevista à Agência Brasil. Segundo Coimbra, o Brasil tem papel fundamental nesse encontro, pois o país é o quarto maior em emissões de gases do efeito estufa.

Poluidores

O setor agrícola é considerado no Brasil o maior responsável pela emissão de gases do efeito estufa, em decorrência dos desmatamentos realizados no país. Nesta semana, no entanto, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) divulgou um estudo que revela a queda nos desmatamentos e o aumento gritante na poluição oriunda do setor da indústria, de energia e de transporte.

Segundo estudo baseado em dados oficiais do próprio ministério, do Ministério de Minas e Energia, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de anuário de indústrias e outras fontes, somente nas indústrias a emissão de CO2 – um dos principais gases causadores do efeito estufa – cresceu 77% de 1994 a 2007.

No setor de energia, o estudo mostra que, em 1994, para cada gigawats consumido, emitia-se 42 toneladas de CO2. Hoje esse número saltou para 54 ton, devido a maior participação de termoelétricas nas matriz energética. Já no setor de transportes, a situação é ainda mais preocupante. Só esse setor passou a jogar na atmosfera 50 milhões de toneladas a mais de CO2 de 1994 para 2007.

A estimativa é de que, até o final do ano, o setor industrial e de energia juntos sejam responsáveis por cerca de 30% das emissões de CO2 no país. Os últimos dados divulgados, baseados em informações de 1994, revelavam que a participação desses setores na poluição atmosférica era de 18%. No caso do setor agrícola, com os desmatamentos – até então responsável por 75% das emissões – a participação deve reduzir para 55%.