Foto: Ascom PC - Arquivo Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Adriano Silva Rodrigues, 22, foi condenado a 25 anos de prisão

Um dos casos de maior repercussão em Alagoas em relação aos crimes contra a mulher foi concluído, ontem (1º), com a condenação do acusado pelo crime. O jovem Adriano Silva Rodrigues, 22, foi condenado por júri popular a 25 anos de reclusão por ter matado a esposa, a agricultora Gilvanete Rozendo Silva, 44, que morreu em janeiro de 2013 após passar 22 dias internada no Hospital Universitário, em Maceió. Ela estava grávida de oito meses, morava na zona rural do município de Limoeiro do Anadia, onde o crime foi registrado, e foi brutalmente espancada pelo marido.

O julgamento aconteceu no Fórum da Comarca de Limoeiro, na manhã de ontem, e, para tentar ser absorvido pelo crime, o acusado contou com o trabalho do defensor público Roberto Mesquita. Os jurados, por maioria de votos, reconheceram a autoria do crime cometido contra Gilvanete, que era mãe de quatro crianças e estava grávida do primeiro filho com Adriano. Para eles, o réu agiu por motivo fútil e teve intenção de matar a vítima ou assumiu o risco de, com sua conduta, provocar tal resultado.

O acusado estava preso desde o ano passado, no presídio de Arapiraca, e deverá cumprir a pena em regime inicialmente fechado. O juiz Phillippe Melo Alcântara Falcão, que presidiu o julgamento, designou o Presídio do Agreste, em Girau do Ponciano, para o início do cumprimento da pena privativa de liberdade.

                                                  Gilvanete Rozendo 

A reportagem do CadaMinuto conversou com o defensor Roberto Mesquita. Segundo ele, conforme constava nos autos do processo, as agressões entre o casal eram constantes e recíprocas, muitas vezes por motivos banais. “Tinha vezes que ele chegava em casa, pedia para ela fazer comida e, quando negava, os dois começavam a brigar. Ambos se agrediam. Era algo que havia se tornado ‘natural’ na rotina deles. Gilvanete tinha, inclusive, sido aconselhada pelos vizinhos a deixar o marido, mas ficava chateada. Foi agredida várias vezes e nunca denunciou o caso à polícia”, disse Mesquita.

O crime

A agressão sofrida por Gilvanete foi registrada no dia 06 de janeiro do ano passado. À época, o crime ganhou grande repercussão em virtude da gravidade: ela e o marido, embriagado, iniciaram uma discussão em casa, na frente dos quatro filhos da agricultora. Adriano empurrou a vítima, que, segundo ele alegou à polícia e sustentou a versão durante a investigação, bateu as costas na calçada da residência em que moravam. Após a agressão e ainda consciente, Gilvanete foi socorrida por vizinhos e logo depois foi encaminhada ao Hospital Universitário, em Maceió.

Governador e secretária visitaram a vítima

Quando o crime foi divulgado pela imprensa, as informações iniciais davam conta de que Adriano teria agredido Gilvanete com uma barra de ferro, além de socos e chutes. A versão, diferente da que foi contada pelo agressor, ganhou ainda mais força com a divulgação do primeiro boletim médico emitido por profissionais da UTI do HU, onde ficou internada.  Segundo o documento, a vítima sofreu uma grave lesão na coluna vertebral e foi submetida a um procedimento cirúrgico para a reconstituição da vértebra fraturada em virtude da agressão.

Segundo divulgou o hospital, a vítima havia ficado paraplégica e, caso sobrevivesse, poderia ficar tetraplégica. 

No momento em que chegou ao hospital, Gilvanete foi imediatamente encaminhada ao Centro Cirúrgico. Os médicos realizaram uma cesariana para salvar o bebê, uma menina que nasceu bem, com cerca de 2 kg, e ficou internada por semana para ganhar peso, sendo liberada poucos dias depois do falecimento da mãe. A agricultora evoluiu a óbito no dia 29 de janeiro após sofrer três paradas cardíacas.

Diante da repercussão e gravidade do caso, o governador Teotonio Vilela Filho e a então secretária de Estado da Mulher, Kátia Born, foram ao HU visitar a vítima e descreveram o crime como uma barbaridade. Durante a visita, Gilvanete foi considerada pelos gestores com a Maria da Penha de Alagoas, afirmando que o crime ultrapassava toda a capacidade da maldade humana contra a mulher.

 “Gilvanete simboliza a Maria da Penha de Alagoas. É uma das muitas que ainda vivem sendo violentadas e sem denúncia. O Governo está aí. Os órgãos públicos estão ai pra defenderem e agirem assim que acionados, mas precisamos da denúncia. Uma barbaridade dessa não pode continuar acontecendo”, disse Kátia Born, que ainda chegou a participar do enterro da vítima e de um protesto pela punição do acusado, em Limoeiro do Anadia.