São Paulo é a maior metrópole do Brasil, com 11.253.503 habitantes, e uma das cinco maiores cidades do mundo, com área territorial de 1.521.101 km². A cidade tem sido, há mais de um século, um marco referencial no crescimento urbano brasileiro. Mas há um passivo social relevante a ser equacionado.

A luta por moradia é um desses problemas históricos, ocorrendo, devido  à organização dos movimentos sociais, ocupações de terrenos e edifícios abandonados, públicos ou privados.

A mídia noticiou mais um conflito no centro de São Paulo, em que centenas de famílias viviam num hotel abandonado há mais de dez anos. A reintegração de posse do imóvel foi realizada sem a necessária mediação para o cumprimento da ordem judicial, verificando-se violência tanto por parte da polícia quanto dos ocupantes. 

É sabido que a polícia de São Paulo e, para se fazer justiça, dos demais estados não está preparada para tratar de assuntos sociais. Continua a receber uma formação militarizada e se prepara como e para uma guerra, quando, em verdade, o “inimigo” são cidadãos pobres, crianças, mulheres, idosos, grávidas e adultos trabalhadores.

Diante dessa situação o caldo de cultura necessário para o confronto está posto: ausência de diálogo, intolerância, inabilidade no trato das questões sociais e a disposição para a violência, amparada na formação militarizada para matar o “inimigo”, com base na ideologia belicosa oriunda da ditadura militar.

No bairro da Lapa, zona oeste de São Paulo, um policial militar, diante de uma multidão de comerciantes, funcionários das lojas, clientes e ambulantes, presencia o assassinato de um ambulante, com um tiro na cabeça, disparado por outro policial.

As imagens denunciam a incapacidade e o despreparo dos policiais paulistas. O conflito ocorrido entre ambulantes e a polícia militar e/ou a guarda municipal faz parte do cotidiano daquela metrópole.

Os eventos deixaram prejuízos materiais e econômicos, mudaram a rotina de trabalho da região conflagrada e aumentaram ainda mais o clima de insegurança da população na maior cidade do país, com repercussão em nível nacional.

Os conflitos sociais devem ser mediados com diálogo e inteligência. Ocorre que a polícia militar tem sido historicamente usada pelo Executivo e pelo Judiciário como instrumento de coação contra, tão somente, as populações empobrecidas e suas organizações. Em outros estados e cidades também se observam barbaridades semelhantes.

As polícias têm causado insegurança quando violam os direitos fundamentais e principalmente quando agem sem nenhum preparo técnico ao se defrontarem com questões sociais. Esta conclusão não requer muito esforço intelectual é uma evidencia clara. Por isso a banda de rock paulistana Os Titãs nunca foi tão atual ao dizer que: Polícia!/ Para quem precisa/ Polícia!/ Para quem precisa/ De polícia...