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Médica, professora, humanista. Formada em medicina pela Ufal em 1972, com Especialização em Saúde Pública e Mestrado pela Universidade de São Paulo (USP), Ana Dayse Rezende Dorea tem 37 anos dedicados à educação alagoana, atuando desde 1973 como professora da Ufal, instituição a qual dirige como reitora desde 2003.

Em 2007, Ana Dayse foi reeleita com maioria absoluta dos votos da comunidade acadêmica para um novo mandato como reitora, iniciado em 2007 e com fim em 2011. Atualmente ocupando a vice-presidência nacional da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior, a Andifes, Ana Dayse vem se firmando como referência no debate nacional sobre a Educação Superior no Brasil.

Na semana que passou a reitora recebeu a reportagem do Cada Minuto em seu gabinete para falar de um tema especial: a chegada da Ufal em Delmiro Gouveia e Santana do Ipanema com o Campus do Sertão. “Todos dos sertão devem ser organizar para já começar a estudar na Ufal no primeiro semestre de 2010”, afirma a reitora. Confira a entrevista.

Cada Minuto - Por que levar a Ufal para o sertão alagoano?

Ana Dayse – Porque este é um anseio entre os mais antigos da comunidade sertaneja alagoana, que há muitos anos aguarda por mais opções de ensino superior público, gratuito e de qualidade. Diariamente, muitos jovens e adultos sertanejos são obrigados a viagens para outras cidades e até outros estados, na busca por cursar um curso superior. Como sertaneja que sou, nascida com muito orgulho na ribeirinha Pão de Açúcar, também vivi esta experiência de não poder me formar em minha região, já que só pude estudar medicina em Maceió, entre o fim dos anos 60 e o começo dos anos 70.

Quer dizer que este cenário quase não mudou?

Infelizmente, muito pouco. Até hoje, com quase 40 anos de diferença desde minha formatura, mesmo com os esforços valiosos de instituições como a Uneal e até de várias faculdades privadas, a oferta de ensino superior presencial ainda é reduzida no sertão. E de ensino público, gratuito, com qualidade e comprometimento social, ainda mais. Então, levando a Ufal para o sertão alagoano, estamos cumprindo nosso papel enquanto instituição que tem missão de fomentar o desenvolvimento humano formando inúmeros alagoanos e alagoanas. Por isso, a Ufal chega no sertão em 2010. E isto não é uma promessa. É uma realidade concreta!

Quais cursos serão oferecidos no Campus do Sertão em Delmiro Gouveia?

Já a partir do primeiro semestre de 2010 a Ufal vai ofertar 8 opções de cursos de graduação, todos presenciais e com duração, em média, de 4 anos. Em Delmiro Gouveia, sede do Campus do Sertão, teremos os cursos de Engenharia Civil, Engenharia de Produção e Pedagogia, além das licenciaturas em Letras/Língua Portuguesa, História e Geografia. Gostaria de ressaltar que é nas licenciaturas que formamos professores, e formar professores aptos aos desafios da sociedade contemporânea é um desafio global, que se amplia em Alagoas diante da carência que temos por profissionais do magistério.

E em Santana do Ipanema, também teremos vagas?

Teremos sim, pois Santana do Ipanema vai ganhar um Pólo do Campus do Sertão da Ufal, oferecendo os cursos de Ciências Econômicas e Ciências Contábeis. Com estes cursos, estamos preenchendo também uma lacuna e ajudando a formar profissionais com capacidade para empreender e para desenvolver economicamente a região, haja vista que o sertão precisa de mais impulso neste campo. Teremos, no geral e inicialmente, 560 vagas variadas em opções e turnos, inclusive com cursos noturnos, em Delmiro e em Santana.

Mas para implantar a Ufal no sertão alagoano há desafios como a contratação de professores. Como está este processo?

Sim, este é um desafio que estamos enfrentando sem abrir mão da qualidade que o ensino deve ter. Por isso estamos já no começo de setembro realizando um concurso público para preencher 28 vagas de professores que vão atuar em Delmiro Gouveia e Santana do Ipanema. As provas começam dia 3 de setembro, em Delmiro Gouveia, na escola Estadual Watson Clementino de Gusmão Silva. Temos cerca de 90 inscritos e acredito que finalizaremos o concurso até o dia 7 de setembro. São professores com pós-graduação entre mestres e doutores, formados em diversas regiões do país. Pelo que constatamos internamente, os currículos são excelentes. Com este corpo de professores, conseguiremos iniciar nossas atividades em alto nível e posso afirmar que no início de 2010 Campus do Sertão começa a funcionar.

Entre estes desafios está também espaço físico. A Ufal terá prédio próprio?

Teremos prédio e infra-estrutura própria. Já assinamos a homologação do processo licitatório para a obra de construção do Campus do Sertão em Delmiro Gouveia. As obras devem começar ainda em setembro, pois já fizemos licitação. Também teremos prédio em Santana do Ipanema. As aulas começam em 2010 e este processo está sendo acelerado.

A chegada da Ufal no sertão é muito aguardada em especial pelos estudantes e pelos futuros universitários. O que a senhora aconselharia aos candidatos às vagas de Delmiro Gouveia e Santana do Ipanema?

Que se preparem ao máximo, que estudem, e que fiquem atentos ao edital de nosso Processo Seletivo. Unificamos todas as vagas, de Maceió e dos Campi do interior, em único edital de seleção. Então, quando o edital do popular e tradicionalmente chamado “vestibular“ sair, este já apresentará as opções do Campus do Sertão. Os estudantes de Ensino Médio e os demais candidatos devem ficar atentos ao edital, que será publicado nos próximos dias no site da Copeve, o www.copeve.ufal.br. Todos dos sertão devem ser organizar para já começar a estudar na Ufal no primeiro semestre de 2010.

Esta expansão da Ufal vai mexer, para o bem, com toda a região sertaneja. Como a senhora analisa este fato?

De modo positivo. A chegada da Ufal no agreste alagoano, por meio do campus com sede em Arapiraca e Pólos de Viçosa, Penedo e Palmeira dos Índios já vem alterando o desenvolvimento destas cidades e região, e para melhor. Acredito que com o sertão não será diferente. Com a Ufal, não se instala somente uma opção de cursos. Instala-se algo muito mais amplo que isto, que é o ensino de alto nível, a pesquisa, a extensão universitária, enfim, o desenvolvimento social e econômico. Neste processo, o apoio da sociedade sertaneja é fundamental e, felizmente, as prefeituras e as lideranças sertanejas têm nos ajudado, e muito, neste passo essencial para nosso estado.

A senhora fala em apoio. Como que a sociedade pode apoiar a ainda mais a ida da Ufal para o sertão?

Neste momento, divulgando nossa chegada e estimulando que os alunos de nível médio e todos os candidatos se preparem para ocupar as 560 vagas que ofereceremos em Delmiro Gouveia e Santana do Ipanema. Por isso, aproveito para convocar professores, diretores de escola, coordenadores de ensino, líderes comunitários, prefeitos, secretários de educação, educadores em geral para nos ajudarem com este estímulo. A Ufal estará aguardando os estudantes do sertão.

Como a Ufal se preparou para esta expansão rumo ao sertão de Alagoas?

Este é um processo interno pensado com planejamento atencioso e criterioso, no projeto de interiorização da Ufal que começou pelo agreste de Alagoas em 2006. Portanto, o Campus do Sertão já estava contemplado neste projeto. Ressalto que levar a Ufal para o interior não é somente um desejo meu. Foi uma decisão de nossa equipe de gestão, formada por mim, por nosso vice-reitor professor Eurico Lobo, por nossos pró-reitores, por nosso Conselho Universitário que é o órgão máximo de nossa universidade e, por fim, por nossa comunidade acadêmica. Aliás, sem o apoio e o trabalho desta comunidade, este projeto não chegaria a este patamar.

Por isso, cada docente, cada técnico administrativo, tem sua parcela valiosa de contribuição neste sentido. Os estudantes da Ufal também nos auxiliam muito, inclusive apontando, como no caso do interior, necessidades e indicando soluções de forma franca, por que a Ufal só existe em função de seus estudantes, que merecem ensino, pesquisa e extensão de qualidade. Reitores que administraram a Ufal no passado também se preocuparam com esta necessidade de interiorização, mas foi nesta década que o governo federal destinou recursos que nos possibilitou implementar esta proposta.

A senhora se refere ao Reuni?


Sim, ao Reuni e à primeira fase da expansão das Universidades federais. Há um dado que sempre repito porque ele é estarrecedor: em 2003, ano em que assumi a gestão da Ufal, no final das contas os recursos disponíveis para investimentos eram de R$ 100 mil reais. Sim, falo R$ 100 mil, ou seja, o valor equivalente ao preço de 4 automóveis do tipo “popular”. Isto porque o governo não investia o necessário para nossa manutenção e para nossa expansão.

Os reitores que me antecederam sentiram na pele esta carência de recursos. Mas em 2003, a partir de sugestão da Andifes, o governo federal passou a investir no sistema federal de educação superior, com a criação de 10 novas universidades federais e 49 campi universitários no interior do país, sendo um deles o campus da Ufal sediado em Arapiraca. Após esta experiência, foi concebido em 2007 o Reuni, ou Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais.


E qual o cenário atual de investimentos?


Com o Reuni, o orçamento da Ufal previsto para 2008 aumentou para cerca de R$ 324 milhões, sendo R$ 6 milhões e 300 mil para ações de infra-estrutura, R$ 894 mil para capacitação de servidores e R$ 3 milhões para nossa interiorização. Até o final do Reuni, em 2012, a Ufal deve receber cerca de R$ 129 milhões. Que diferença com relação à 2003!


E como estes recursos estão sendo investidos?


Estamos investindo estes recursos com projetos bem fundamentados, com ampla discussão interna, sempre com decisão final de nosso Conselho Universitário que é soberano, e respeitando os anseios de nossos professores, técnicos e alunos. Por isso, de 2003 para 2009, saltamos de quase 11.600 alunos para 18.200 alunos, e de 11 para 22 programas de pós-graduação com mestrados ou doutorados. Nosso restaurante universitário, que atendia 314 estudantes, passou a atender 1.773 alunos e nosso número de professores, a maioria com mestrado e doutorado, saiu de 799 para 1164. Estes números são animadores? Certamente, mas eles não são tudo! Porque muito ainda precisamos fazer para aumentar nossa parcela de contribuição para o desenvolvimento alagoano, que é simplesmente inadiável!