Ilustração Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true

Não é a primeira vez que grupos de jovens marcam encontros via redes sociais e estes acabam se tornando verdadeiros movimentos de luta. Nas últimas semanas os encontros denominados de “rolezinhos” em shoppings de todo país acabaram por dividir opiniões e gerar protestos.  O Cada Minuto entrevistou o sociólogo Sérgio Coutinho, que questionou se o movimento não teria tomado outros rumos, já que os jovens em questão não são ouvidos.

Os primeiros encontros entre jovens aconteceram em shoppings de São Paulo. O assunto ganhou repercussão após em um dos encontros lojas serem furtadas e uma multidão de jovens ser colocada para fora do empreendimento pela Polícia Militar.

Desde então vários shoppings reforçaram a segurança e adotaram medidas extremas em que até os funcionários são revistados no momento de entrada para o turno de trabalho. Em Maceió uma situação semelhante aconteceu em um dos shoppings da capital no início do mês. Um pequeno grupo de jovens foi retirado do local pelos seguranças.

Após a onda de protestos e confusões por conta dos eventos, novos “rolezinhos” estão sendo marcados para várias capitais nos próximos dias.

Questionado sobre a repercussão dos eventos, o sociólogo disse que apesar de ser um movimento novo, tumultos de jovens sempre aconteceram em shoppings. Para ele, o eixo do problema está em não ouvir os jovens e tentar politizar algo que não mereça.

“Reuniões de adolescentes em shoppings é uma coisa velha, sempre existiu. O problema é que os shoppings vendem segurança e se sentem ameaçados com a probabilidade de arrastão e confusões. Os jovens por sua vez não são ouvidos e a sociedade acaba discutindo apenas se o movimento é uma questão racial e econômica”, analisa.

Coutinho em sua análise também questiona o fato de os encontros terem tomado outros rumos que não sejam apenas o de lazer e se tornado uma forma de grupos externos promoverem tumultos. O estudioso ainda afirmou que o fato já virou discussão até entre sociólogos.

“Juridicamente os jovens estão errados em causar tumulto, mas será que há rigor por parte dos estabelecimentos no momento de punir? Será que o mesmo rigor é tido com jovens de outras classes sociais dentro dos estabelecimentos? Acho que devemos ter cuidado para não estar rotulando como vandalismo”, critica.

Quem tem medo de rolezinho?

Nesta quinta-feira (16) o jornal Folha de São Paulo publicou que a ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros (PT), acusou a Polícia Militar e os freqüentadores de shopping de discriminar jovens negros nos encontros.

"As manifestações são pacíficas. Os problemas são derivados da reação de pessoas brancas que frequentam esses lugares e se assustam com a presença dos jovens", declarou.

Na Câmara de vereadores de Maceió o assunto também chegou a ser discutido. O vereador Kelman Vieira (PMDB) cobrou dos empresários uma posição sobre o nível se segurança nos shoppings.

“É preciso cobrar posição dos empresários sobre nível de segurança nos locais para evitar invasões de gangues como ocorreu em São Paulo e no Rio de Janeiro”, declarou.

Na ocasião, os vereadores chegaram a cobrar investigação sobre supostos assaltos que teriam acontecido em um shopping da capital. O Cada Minuto questionou a direção de um dos shoppings da capital, maas nenhuma resposta foi enviada.