Com uma arrecadação de pouco mais de 3 bilhões e uma folha salarial equivalente a 48,26% da receita, destinados aos cerca setenta mil funcionários, Alagoas tem amargado a falta de recursos a serem empregados em áreas como educação e saúde.

O Estado é considerado um dos mais pobres do país e de acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) possui mais servidores públicos do que Paris e Londres por exemplo.

Segundo o economista Laurentino Veiga a quantidade de servidores impressiona e vinte e cinco mil já seriam suficientes para a realidade econômica do Estado, que não tem apenas como obrigação o pagamento do funcionalismo público e sim, investimentos e planos para as próximas gerações.

"No governo Suruagy isso já era um desastre, porque ele gastava 85% da renda estadual com o pagamento de pessoal e o dinheiro para escolas, estradas e hospitais não existia. A quantidade é exorbitante e a solução é colocar pra fora aqueles que desrespeitaram a constituição e que entraram e continuam entrando sem concurso público. Também tem muita gente em cargo de comissão e é preciso enxugar a máquina, porque esses gastos são onerosos para os cofres públicos, explicou o economista.

Para ele o problema é que a falta de investimento em Alagoas faz com que as pessoas vejam o Estado como grande empregador, o que deveria ser encarado de forma diferente.

"Em outros lugares ninguém estuda para ser funcionário público e sim, para entrar no mercado de trabalho. No Ceará quem não fez concurso foi demitido, isso diminuiu
os gastos. Aqui vemos no diário oficial que vão chegar indústrias, mas não há coisas concretas. O Estado tem quase 50% de analfabetos e obrigações com a população". destacou.

O secretário adjunto de gestão de pessoas do governo, João Carlos da Rocha informou que atualmente não há condições de conceder aumentos ou realizar concursos públicos e que as possibilidades de investimento também são remotas, devido ás más condições financeiras do Estado.

"Sabemos que as reivindicações são justas, mas a falta de dinheiro e a lei não nos permite atender a elas. Os recursos são mal aproveitados e temos quarenta e oito mil servidores ativos e vinte e dois mil inativos e pensionistas. Estamos preparando um censo de planejamento da força de trabalho porque têm secretarias com excesso de servidores e outras com poucos. Vamos detectar isso e remanejar. Gastamos mais da metade da receita com pessoal e o repasse do dinheiro para a previdência também está incluso na lei de responsabilidade fiscal", ressaltou o scretário.