O ex-general Santiago Omar Riveros, comandante do Campo de Mayo, um dos maiores centros de extermínio da ditadura argentina (1976/83), foi condenado nesta quarta-feira (12) à prisão perpétua por crimes de lesa humanidade, informou a TV local.


Riveros, ex-chefe do Comando de Institutos Militares, foi considerado culpado pelo assassinato de Floreal Avellaneda, de 15 anos, e pelo sequestro da mãe do jovem, Iris Avellaneda.


Santiago Omar Riveros integrou a Junta Interamericana de Defesa, que articulou na década de 70 o chamado Plano Cóndor, para coordenar a repressão nos países do Cone Sul, incluindo o Brasil.


Floreal Avellaneda, membro da Federação Juvenil Comunista, foi torturado e empalado pelos militares, após ser detido em sua casa, com a mãe, um mês depois do golpe de março de 1976.


O jovem foi torturado para revelar o paradeiro do pai, um integrante do Partido Comunista, que conseguira fugir durante a batida dos militares.


Segundo o relato de Iris Avellaneda, os militares "aplicaram choques nas axilas, boca, genitália e ânus" dos dois. "Então, ele (Floreal) me pediu chorando para dizer onde o pai estava, mas eu não sabia".


Finalmente, o corpo de Floreal apareceu "na costa uruguaia, com os pés e mãos amarrados (...) e sinais de empalamento".


Iris foi solta quase três anos após a prisão.

 

  25 anos de prisão

O tribunal também condenou, a 25 anos de prisão, o ex-chefe de Inteligência do Comando de Institutos Militares e ex-chefe da Polícia de Buenos Aires Fernando Verplaetsen.


Outros quatro acusados pela morte de Floreal receberam penas de entre oito e 18 anos de prisão.


Pelo Campo de Mayo passaram cerca de 5 mil prisioneiros da ditadura, segundo organismos de direitos humanos.


Após ouvir a sentença, Floreal Avellaneda, pai do jovem, "destacou que a pena deve ser cumprida em prisão comum". "Mesmo que morra na prisão, jamais vai sofrer o que nós sofremos".


O ex-integrante do Partido Comunista acrescentou que "trata-se de um julgamento emblemático porque é o primeiro envolvendo os crimes cometidos no Campo de Mayo", o maior quartel do Exército argentino.


Riveros havia sido condenado em 1985 e indultado em 1989, mas foi acusado posteriormente de sequestro de bebês, filhos de presos desaparecidos, algo considerado crime de lesa humanidade, sem prescrição.