O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta quarta-feira (12) com o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e se comprometeu a falar com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para tratar da questão de Honduras. Zelaya explicou a Lula os detalhes do golpe de estado que sofreu e disse que não concorrerá às próximas eleições, caso volte ao país de forma pacífica.

Segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que estava presente à reunião, Lula disse que vai falar com Obama sobre a questão, porque o Brasil entende que os golpistas só entenderão que não terão futuro no governo hondurenho com um recado claro dos Estados Unidos, por conta da vinculação econômica entre os dois países.

“Para que o presidente Zelaya volte rápido [a Honduras] é preciso que os golpistas entendam que eles não têm futuro e quem pode dizer isso com todas as letras para eles são os Estados Unidos, porque tem maior influência direta. Mas, isso dentro do marco multilateral e da carta democrática que todos apoiamos. É muito importante que isso ocorra", salientou o ministro.

Preocupação

Amorim disse ainda que preocupa ao Brasil a demora da negociação para o retorno de Zelaya ao poder de Honduras porque quanto menos tempo, menor a possibilidade de legitimar as eleições daquele país, marcadas para 28 de novembro desse ano. 

“Nos preocupa, e o presidente expressou isso claramente para o presidente Zelaya. a demora [para o retorno a Honduras], porque a medida que o tempo vai passando a capacidade de que a volta do presidente Zelaya tem de legitimar as eleições vai se enfraquecendo. É preciso que o presidente Zelaya volte e volte rápido”, salientou Amorim.

Amorim Também afirmou que Lula deve falar com Obama para tratar da questão, mas não há data prevista para a conversa. “’É claro, o presidente se dispôs no momento adequado a falar com o presidente Obama. E, naturalmente, eu talvez tenha que falar antes, mas há ações dentro da OEA [Organização dos Estados Americanos] e não há duvida sobre o apoio do Brasil à volta imediata e incondicional do presidente Zelaya a Honduras”, revelou. 

 

O presidente deposto agradeceu o apoio do Brasil e disse que deseja se reunir com a secretária de estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton. “Eu espero me encontrar com a secretária Clinton”, disse. Zelaya também garantiu que não concorrerá à presidência se voltar a Honduras “de forma pacífica”. “As leis de Honduras não permitem a reeleição e eu não concorrerei”, salientou.

Senado

 Depois de visitar Lula, Manuel Zelaya se reuniu com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Em um encontro de pouco mais de dez minutos no gabinete de Sarney, Zelaya agradeceu o empenho das lideranças brasileiras em favor do seu retorno ao comando do país.

Sarney garantiu "inteira solidariedade" a Zelaya e, em seguida, acompanhou o presidente de Honduras até o plenário da Casa. Parlamentares do PT, PCdoB e PSOL também manifestaram apoio ao retorno de Zelaya. "Jamais podemos aceitar a interferência no processo democrático de um país, sem o nosso protesto e a nossa luta para que isso possa ser superado", disse Sarney.

"Honduras está resistindo a um duro golpe político há 46 dias. Está resistindo a violação dos direitos humanos, censura da imprensa e torturas", denunciou Zelaya.

O líder hondurenho acompanha a sessão do Senado sem o tradicional chapéu que vem marcando as suas aparições. O líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), disse a Zelaya que o Parlamento do Mercosul pediu a suspensão de todos os acordos bilaterais com o governo de Honduras, até que o líder de Honduras retorne ao poder.

 

Zelaya chegou na noite desta terça-feira (11) em Brasília, a bordo de um avião Falcon 50, de origem venezuelana.