Quando tudo parecia se acalmar, técnicos do Senado descobriram mais 468 atos secretos. Eles foram criados há cerca de dez anos, quando o presidente do Senado era Antonio Carlos Magalhães (DEM), para nomeações, demissões e gratificações, sobretudo de parentes e afilhados políticos dos parlamentares.

Os analistas da primeira leva de 663 atos secretos estavam terminando o trabalho quando descobriram a novidade: entre 1998 e 1999, os atos secretos foram incluídos em boletins impressos suplementares e só agora disponibilizados na rede de computadores do Senado, justamente quando a Comissão de Sindicância iria terminar o seu trabalho, com os atos secretos anteriores a esses e que levaram à crise atual na Casa.

A lista a que o Jornal da Globo teve acesso mostra a documentação para nomear e dispensar funcionários dos gabinetes, da gráfica e do serviço de processamento de dados do Senado. O então senador Ronaldo Cunha Lima, da Paraíba, na época primeiro-secretário e responsável pela administração, nomeou o filho, mostram os documentos.

Outros atos alteram a estrutura de cargos e pessoal nas áreas de telefonia, biblioteca, serviço médico, segurança e comunicação. Eles também criam funções de confiança para diretorias e tratam até de folha de pagamento