As pessoas com renda familiar de até três salários mínimos por mês, o equivalente hoje a R$ 1.395,00, já respondem por 60% dos inadimplentes na capital paulista. Em setembro de 2008, quando os efeitos da crise financeira mundial começaram a se acentuar no País, a participação desse segmento era bem menor, de 32% do total de inadimplentes.

Os dados são de uma pesquisa divulgada ontem pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP). A entidade entrevistou 703 consumidores que procuraram informações no balcão de atendimento do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), no mês de março.

Nos demais estratos sociais, a participação no calote diminuiu. Na faixa de renda familiar de quatro a cinco salários mínimos (R$ 1.860 a R$ 2.325), a queda foi de 18% para 13%, entre setembro de 2008 e março deste ano. Entre os mais ricos, com renda familiar acima de dez salários mínimos (R$ 4.650), essa participação recuou de 4% para 3%.

Para Marcel Solimeo, economista da entidade, boa parte do aumento da inadimplência entre os consumidores de baixa renda estaria relacionada com a entrada recente dessas pessoas no mercado de crédito. Entre 2006 e 2008, segundo ele, cerca de 20 milhões de CPFs foram consultados pela primeira vez nos serviços de proteção ao crédito em todo o País.

"A participação maior da baixa renda não significa que esse segmento apresenta inadimplência superior à das demais faixas de rendimentos", diz Solimeo. "Ela reflete o seu crescimento no total dos financiamentos". Solimeo argumenta que estudos da entidade mostram que existe pequena diferença de comportamento em termos de inadimplência entre os novos consumidores, onde predomina a baixa renda, e os antigos.

O desemprego do pesquisado, ou de alguém da família, continua sendo a principal causa da inadimplência, apontada por 48% dos consumidores. Em seguida vem o descontrole de gastos, com 12%, e ter sido avalista ou emprestado o nome para terceiros (8%).

A pesquisa ainda não reflete o recente aumento do desemprego, diz Solimeo. "Além de existir uma defasagem de alguns meses entre a concessão do crédito e a inadimplência, muitos dos entrevistados já estavam negativos há bastante tempo". Ele ressalta que 65% dos entrevistados não se encontravam desempregados no dia da entrevista.

A pesquisa mostra ainda que 52% dos inadimplentes manifestaram intenção de quitar os débitos nos próximos 30 dias. Desses, 73% pretendem usar o dinheiro do salário, o que exige cortes no consumo e no lazer.