1361736308cleistenes geninho e barra

Um dia, do ano de 1958, a tragédia transformou o Estádio Manoel Moreira em um palco de lamentações. Vítima de um destino cruel e surpreendente, o jovem Barra teve sua carreira cortada antes do estrelato. Era, na época, um dos mais promissores jogadores do futebol alagoano, despontando como grande artilheiro. Raçudo, rápido e brigador, de seus pés partiam verdadeiras bombas.

Contudo, uma tarde fatídica, terrível, envolveu-o numa trama sinistra, roubando-lhe um amigo e transformando sua vida, até então tranquila, num inferno real. Era o fim de uma carreira brilhante. Primeiro, tragado pelos dedos frios da morte. Segundo, pela desgraça involuntária de uma dor sem precedentes.

Em princípios de 1958, uma seleção alagoana foi à Capela para uma partida amistosa, num dia festivo para o povo daquela cidade alegre e acolhedora. Quando o Capelense já vencia de 4x1, Botinha lançou uma bola em profundidade entre Orizon e Piolho. Barra se infiltrou entre os dois zagueiros e ganhou na corrida. O goleiro Ozório saiu de sua meta e chegou junto com o atacante da seleção na hora do chute. Houve um choque e os dois caíram. Barra se levantou. Ozório que havia caído por cima da bola, continuava no chão. Era o início do drama. Sentindo que havia algo errado, o juiz Waldomiro Brêda chamou o médico. O goleiro foi retirado do campo e levado para a casa de sua noiva.

O jogo prosseguiu com Zacarias no gol do Capelense. Dez minutos depois, veio a trágica notícia. Ozório estava morto. Barra, surpreendido, começou a chorar. Eram lágrimas sinceras. Ozório tinha sido seu companheiro no juvenil do Tiradentes. Sempre foram bons amigos. Mas, o destino tinha sido injusto com Barra. Involuntariamente, levou-o a ser o carrasco de um amigo.

A notícia triste fez com que o jogo fosse encerrado. A torcida do Capelense não se conformava com a morte de Ozório e queria pegar o Barra, como se ele fosse culpado pelo acontecido. O atacante começou a viver momentos dramáticos. Para sair de campo, foi necessária a intervenção do presidente da Federação, Major Kleber Rodrigues, e do técnico da seleção, Sargento Madalena.

A viagem de volta para Maceió foi longa e penosa para todos, particularmente, para Barra. A estrada parecia não ter fim. Durante vários dias, o atacante não dormiu e não comeu. Perdeu todo entusiasmo pelo futebol e pela vida. Nunca mais voltou a jogar. Nunca mais foi o mesmo rapaz alegre e brincalhão. Começou a beber. Seu corpo começou a definhar e, um dia, a morte também veio buscá-lo mais cedo do que se esperava.

Barra foi vítima de uma dessas tragédias que nunca tem dia nem hora certa para chegar.