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O torcedor paga por um espetáculo nem sempre compensador. O futebol não tem preconceitos, não faz distinção de raça ou cor. Arrasta milhões de adeptos e ninguém sabe quando eles se sentem bem ou mal. Se seu clube perde, seus extravasamentos atingem as profundezas das mais perigosas reações. Se o time ganha, a forma inversa desses extravasamentos vai aos píncaros da euforia.

A grande rivalidade do futebol do interior foi, durante muitos anos, entre o ASA de Arapiraca e o CSE de Palmeiras dos Índios. Um dos episódios mais dramáticos aconteceu em 1953. Começou com a decisão do campeonato matuto. O jogo foi realizado em Palmeiras dos Índios, numa tarde sem sol e com nuvens escuras no céu. Para apitar o grande jogo, o melhor juiz da época, Waldomiro Brêda. O jogo transcorria normalmente e o ASA vencia por 1x0. A chuva que caia em Palmeira dos Índios era cada vez forte. Aos trintas e cinco minutos do segundo tempo, a coisa se transformou em tempestade. Waldomiro Brêda foi obrigado a suspender o jogo.

Na mesma semana, a Federação Alagoana de Desportos programou para o domingo seguinte o restante dos noventa minutos para se conhecer o campeão. Jogados os dez minutos, o marcador não se alterou. Como o público pagou para assistir um jogo de noventa minutos, os dirigentes acertaram que os times continuariam jogando mais oitenta minutos de forma amistosa.

Foi nesse período que se deu a maior confusão dentro e fora de campo. A briga começou entre os jogadores que trocavam socos e pontapés. Fora do campo, um torcedor do CSE agrediu moralmente o presidente do ASA, Antônio Rocha. Como ele estava com um guarda chuva, deu uma cacetada no torcedor.

O tempo também fechou fora das quatro linhas. Uma verdadeira guerra sem soldados. Ninguém procurou contornar a situação. Nem podia. Todos davam e apanhavam. Para sair de Palmeira dos Índios, a delegação do ASA passou por vexames e humilhações. Afinal, o número de torcedores do CSE era bem maior do que do ASA.

A revolta em Arapiraca tomou conta de todos seus habitantes. Todos queriam uma forra. No dia seguinte, na segunda-feira, realizar-se-ia a famosa Feira de Arapiraca. Muitos caminhões começaram a chegar de Palmeira dos Índios carregando palmeirenses para comprar e vender mercadorias. O chefe de polícia de Arapiraca se juntou com o delegado e um punhado de torcedores, aqueles que mais apanharam em Palmeira dos Índios, foram para a entrada da cidade, a fim de esperar os caminhões. A forra foi dada ali mesmo.

Os caminhões eram parados pelas autoridades e seus policiais, e os arapiraquenses apontavam aqueles que estavam no estádio e na briga do dia anterior. Não adiantava dizer que havia engano. Era descer e apanhar.

Por causa desse episódio, durante muitos e muitos anos, ninguém de Arapiraca ia à Palmeira dos Índios e vice-versa. E tudo começou numa tarde bonita de sol em meio a uma festa pela conquista de um título de campeão.