Taxistas convivem com rotina de assaltos e assassinatos em Alagoas

  • carlinhos
  • 07/08/2009 03:52
  • Maceió

Em Alagoas existem cerca de cinco mil taxistas, mas a profissão já é classificada como de risco pela categoria e pelas autoridades policiais. Os assaltos e assassinatos costumam acontecer a noite, quando os bandidos solicitam a corrida ou até mesmo quando vêm que o taxista está sozinho em um determinado local.

De acordo com dados do Sindicato dos taxistas de Alagoas (Sintaxi/AL), desde 2005 foram registrados trinta e três assassinatos, além de cento e vinte e cinco assaltos, sofridos principalmente em bairros da periferia de Maceió. Só no primeiro semestre deste ano, cinco taxistas morreram enquanto trabalhavam na capital.

O desaparecimento do taxista Valcir Vilela Barbosa, ocorrido na última sexta-feira, 31, nas imediações do Posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF), no Tabuleiro do Martins tem causado apreensão entre a categoria, já que seu veículo foi encontrado queimado no município de Rio Largo.

Cartilhas educativas com medidas de segurança já foram distribuídas para evitar assaltos, mas a onda de violência continua e depois que a comunicação que as cerca de vinte operadoras de táxis da capital tinham, via rádio,com a Polícia Militar parou de funcionar, o número de ocorrências cresceu.

Segundo o secretário do Sintaxi/AL) Fernando Ferreira da Silva, os motoristas de táxis têm ficado cada vez mais preocupados com os casos dos quais tomam conhecimento e que nem sempre são registrados Silva ressaltou que eles evitam trabalhar em determinados horários e locais.

"É uma forma de auto-defesa, porque sempre são encontrados táxis queimados ou abandonados. Infelizmente, recusamos passageiros que realmente precisam do serviço. Depois da gente ficar sabendo da existência de um cemitério clandestino estamos com mais medo. Só Deus nos protege, por isso adotamos algumas medidas de segurança, só que sem uma comunicação com a polícia a situação está pior", disse Silva.

Ele destacou que já foi solicitada uma reunião com o vice-governador do Estado para que a freqüência do rádio volte a funcionar, mas enquanto isso a categoria continua exposta à violência. "Fizemos um planejamento e vamos solicitar algumas ações como barreiras nas saídas do Estado, e uma comunicação rápida iria coibir os assaltos", reforçou.

O proprietário da Real Táxi, Manoel de Freitas Silva disse que os motoristas dos cerca de cinqüenta veículos cadastrados evitam corridas em locais como a Grota do Cigano, Gama Lins, Benedito Bentes, Reginaldo, entre outros.

"Mesmo assim toda semana tem assalto, que acontece mais com o passageiro pego na rua. Para evitar isso fazemos cadastros com nome, endereço e telefone, porque um bandido dificilmente fornecerá esses dados. Nem sempre a polícia chega a tempo para impedir o assalto, estamos á mercê da violência", lamentou.

O coronel Luna informou que já há um projeto para que a comunicação com os taxistas, que integrava o projeto Comunidade Alerta, seja retomada. "Tivemos problemas com a freqüência do rádio e ela foi extinta no início deste ano, pelo Conselho de Segurança Pública, por desrespeitar algumas normas. Mas, a Aliança Comercial, o Sintaxi e outros setores querem a regulamentação, que é importante para a segurança pública", disse.

Casos em 2009

Em janeiro José Carlos da Silva, 35, foi assassinado po um homem encapuzado, em frente a uma mercearia, no bairro da Levada. O fato supostamente aconteceu porque ele teria denunciado à polícia, traficantes que atuam na área.

Já em março, o taxista José Enaldo Alves da Silva foi abordado por dois homens na estrada que dá acesso à Usina Sumaúma, em Marechal Deodoro. Ele foi assassinado com 18 facadas, mesmo após afirmar que entregaria seu veículo, um Siena vermelho, de placas MUU 7605/AL.

No mês de junho o taxista Severino dos Santos, 62 anos, foi vítima de latrocínio, no bairro do Vergel do Lago. Dois jovens teriam exigido que ele entregasse o carro, mas ao tentar pedir socorro aos colegas, Severino foi atingido com um tiro no peito.