A soma entre o talento e a dedicação coloca mais uma estudante do Colégio Tiradentes (CPM) entre os destaques em competições de conhecimento. Aluna do 9º ano do ensino fundamental da unidade Agreste, Lilia Fernanda alcançou o terceiro lugar na edição 2026 da Olimpíada Pan-Americana de Matemática para Meninas, entre os dias 18 e 24 de outubro, na cidade de Bucaramanga, na Colômbia. 

Residente em Limoeiro de Anadia, no interior de Alagoas, a jovem de 14 anos faz parte do corpo discente do CPM Agreste desde o 6º ano, quando foi aprovada em primeiro lugar no processo seletivo. O feito internacional se soma a uma extensa lista de vitórias da aluna, com mais de 40 medalhas em torneios estaduais e nacionais. No entanto, a conquista recente ocupa um lugar especial no currículo de Lilia.

 

“A Olimpíada Pan-Americana tem um grau de complexidade maior em relação às competições nacionais. O processo seletivo é bem duro e eu terminei sendo uma das quatro brasileiras selecionadas para participar após disputar a vaga com outras 40 estudantes de todo o país, sendo a única alagoana”, relembrou a adolescente.

A fórmula do sucesso

 A equação para alcançar o pódio internacional teve início ainda na infância, quando ela estava no 5º ano do ensino fundamental. Incentivada pelos pais, Lilia começou a se aprofundar no estudo dos números e se inscreveu na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP).

“Meu pai, em especial, gostava muito de matemática, então sempre me impulsionou a me dedicar a essa área de ensino. A partir disso, eu comecei a me aprofundar em novos tipos de problemas e assuntos e participar da OBMEP. O estilo de questões nessa Olimpíada despertou minha atenção por envolver também raciocínio lógico, algo que vai além do conteúdo que vemos na escola”, pontuou a medalhista.

 

 

No ano seguinte, já como estudante do Colégio Tiradentes e apoiada pelo professor Antônio Messias, Lília conquistou sua primeira medalha ao alcançar o terceiro lugar na Olimpíada Alagoana de Matemática. Desde então, a adolescente vem colecionando condecorações tanto na OBMEP, quanto na Olimpíada Brasileira da disciplina (OBM), que inclui também estudantes de instituições privadas de ensino.

O desempenho da estudante fez ela ser selecionada para um projeto de extensão da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), vinculado ao Instituto de Matemática. Chamado de Programa Especial de Treinamento Internacional (Peti), a iniciativa tem como objetivo transformar o potencial matemático de alunos da rede pública em conquistas acadêmicas, oferecendo preparação para exames nacionais e internacionais e mentoria especializada.

Agora, Lília divide a rotina entre o ambiente escolar e o convívio acadêmico. Durante a manhã, a dedicação é voltada às atividades no CPM, enquanto no período da tarde ela participa do projeto de extensão. “Tento manter o equilíbrio e me dedicar tanto às matérias da escola quanto ao projeto. Além da resolução de exercícios, o diálogo com os colegas é muito importante na nossa rotina. É assim que surgem novas ideias para conseguirmos aprender sempre mais", explicou Lilia.

A estudante acredita que a troca de experiência é fundamental para que mais meninas se interessem pela matemática.

“Para mim, essa conquista é um marco importante porque serve de referência para que mais meninas sigam nas ciências exatas, onde a presença delas ainda é pequena. Além disso, vejo que muitos alunos acham a matemática assustadora porque ficam decorando fórmulas sem entender sua aplicação. O segredo é enxergar a utilidade da disciplina no nosso dia a dia e ver além das equações", declarou Lilia. 

 

Próximos passos

 Após a vitória internacional, a estudante já embarcou para Natal, onde disputou a Copa Nordestina de Matemática (CoNeMat). Na ocasião, Lília faturou mais três medalhas, sendo duas de ouro e uma de prata. E, se depender dela, os números continuarão guiando seus passos: a jovem planeja cursar Ciência da Computação e seguir carreira na área de exatas.