Crédito da Charge- Leia Agora (Faed)

A privatização dos serviços de saneamento que prometia modernização e eficiência no estado de Alagoas esbarra hoje em uma dura realidade sentida nas torneiras secas e nos bolsos da população do interior. A atuação da concessionária BRK virou um rastilho de pólvora institucional, mobilizando prefeituras, Câmaras Municipais e cidadãos em um coro uníssono de revolta contra o que classificam como descaso operacional e abusividade tarifária.

Cidades como Murici e Atalaia tornaram-se os retratos mais recentes dessa ferida aberta. O que se observa não é um mero contratempo técnico, mas uma falha sistêmica na prestação de um serviço essencial que afeta a dignidade humana básica.

O grito de Murici e a revolta de Atala

Nesta quinta-feira (5), o prefeito de Murici, Remi Filho, escancarou o problema ao publicar uma nota de repúdio contundente em suas redes sociais. Ao pontuar que a falta d'água, a baixa pressão e a opacidade nos prazos de normalização tornaram-se rotina, o gestor resumiu o sentimento de milhares de munícipes: a conta chega pesada, mas a água não sai da torneira.

A reação institucional não se restringe ao Executivo. Em Atalaia, a pressão migrou para o campo jurídico-político. Na última terça-feira (3), a Câmara Municipal protocolou um requerimento coletivo exigindo do Ministério Público (MP) a instauração de inquérito civil contra a concessionária. Os vereadores ecoaram a indignação popular ao buscar responsabilização e medidas enérgicas para cessar o fornecimento precário.

Os eixos da crise

  • Tarifas abusivas versus precariedade: Consumidores relatam cobranças elevadas e desproporcionais frente a um abastecimento intermitente, configurando uma relação de consumo profundamente desequilibrada.
  • Falta de transparência: A ausência de canais de comunicação eficientes e de prazos claros para o restabelecimento do serviço gera desespero nas famílias, que ficam sem saber quando terão acesso à água potável.
  • Omissão de investimentos: Prefeitos e parlamentares apontam que a promessa de melhoria na infraestrutura de redes não tem saído do papel, deixando o interior à mercê de falhas constantes.

É de se saber, que a água, é um direito fundamental inegociável, não pode ser tratada como mercadoria de luxo sob concessões que priorizam o lucro em detrimento da vida. A pressão política exercida por Murici e Atalaia e tantas outras cidades alagoanas, não somente contra a BRK, e sim, também as outras operadoras que abocanharam as demais cidades alagoanas, é um aviso claro: a paciência do povo alagoano esgotou-se, e a cobrança por respostas concretas dessas empresas e dos órgãos fiscalizadores agora é questão de sobrevivência e justiça social.