A boemia carioca dos anos 1940, os jogos de poder, a corrupção, a hipocrisia e as contradições de uma sociedade marcada pelas desigualdades vão ganhar vida nos palcos de Maceió. Nos dias 12 e 13 de dezembro, às 19h30, o público alagoano poderá conferir uma nova montagem de A Ópera do Malandro, uma das obras mais emblemáticas de Chico Buarque. O espetáculo será apresentado no Tripinha – Espaço Gajuru Cultural, no bairro de Jaraguá, reunindo 24 artistas no elenco, músicos ao vivo e uma equipe formada majoritariamente por profissionais de Alagoas.

 

Realizada pela VOX Music Class, e com direção Musical de Diogo Oliveira, a produção preserva a ambientação original da história, situada na Lapa, no Rio de Janeiro da década de 1940, mas propõe um olhar contemporâneo sobre questões que continuam presentes na sociedade brasileira.

 

“Mais do que revisitar um clássico do teatro nacional, a montagem pretende provocar reflexões sobre as relações de poder, a exploração econômica, a violência, a marginalização e os discursos de moralidade que atravessam diferentes épocas. A proposta é mostrar que, embora a história se passe há mais de oito décadas, muitos dos conflitos retratados por Chico Buarque permanecem atuais”, destaca o diretor musical do espetáculo.

 

Um clássico que continua falando sobre o Brasil

Escrita por Chico Buarque, A Ópera do Malandro apresenta um universo de personagens envolvidos em relações de interesse, disputas de poder, corrupção e sobrevivência. Entre a malandragem e os negócios, a narrativa expõe as contradições de uma sociedade em que os limites entre legalidade, exploração e moralidade frequentemente se confundem.

 

Na montagem alagoana, a crítica social presente na dramaturgia ganha novas camadas de interpretação. Um dos momentos mais marcantes será a abordagem da personagem Geni, cuja trajetória dialoga com a violência e a exclusão social. A construção da cena estabelece uma relação com a violência transfóbica no Brasil e evoca a memória de Dandara dos Santos, mulher trans assassinada em Fortaleza, em 2017. 

 

Segundo Diogo Oliveira, a proposta é transformar o desfecho da personagem em um gesto de resistência, afirmação da existência e defesa do direito à vida. “Nessa leitura, Geni deixa de ocupar exclusivamente o lugar de vítima da violência coletiva para assumir uma dimensão de resistência diante da intolerância e da desumanização. A montagem busca, assim, equilibrar a atmosfera histórica da obra com reflexões sobre temas que continuam mobilizando a sociedade contemporânea”, acrescenta o diretor. 

 

Música, dança e interpretação em uma experiência ao vivo

A música, elemento fundamental da dramaturgia de Chico Buarque, terá papel de destaque no espetáculo. Todo o repertório será executado ao vivo, sem utilização de playback, permitindo uma interação direta entre os músicos, os intérpretes e a narrativa.

 

Além da direção musical assinada por Diogo Oliveira, o espetáculo conta com preparação coral de Jhonnatha Malaquias e arranjos vocais assinados por Manoel Jr. e Jhonnatha Malaquias. A execução instrumental ficará a cargo de Franklin Muniz, no piano; Chico Torres, no violão; e Danny Gibi, na percussão.

 

A direção cênica é compartilhada por Homero Cavalcante, Carlos Alberto Barros e Alexandre Lima, com assistência de direção e preparação de elenco de Silvie Leal. A direção coreográfica é assinada por Wallison Melquezedeque.

 

Já a cenografia, concebida por Carlos Alberto Barros, Alexandre Lima e Silvie Leal, busca recriar a atmosfera boêmia da Lapa carioca. Os figurinos, assinados por Viviane Barbosa, contribuem para transportar o público ao universo histórico da narrativa.

 

“O desafio da montagem está justamente na integração dessas diferentes linguagens. Em cena, os artistas precisam cantar, dançar e interpretar simultaneamente, exigindo preparação vocal, consciência corporal e domínio da expressão dramática”, explica Diogo Oliveira.

 

Da formação artística ao palco

A estreia de A Ópera do Malandro representa também a conclusão de um processo de formação artística iniciado em abril de 2026.

 

O projeto nasceu de uma proposta da VOX Music Class, centro de formação artística sediado em Maceió, contemplada pelo Edital Estadual de Produção Cultural 5.2 da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa de Alagoas (Secult).

 

A iniciativa viabilizou uma oficina integrada de canto, dança e atuação, tendo como objeto de estudo a obra de Chico Buarque e, desde o início, a perspectiva de transformar o aprendizado em uma montagem teatral.

 

“Ao longo de aproximadamente oito meses, os participantes passaram por um processo de preparação envolvendo interpretação, técnica vocal, expressão corporal, coreografia e construção de personagens. A experiência também evidencia um desafio importante para a cena cultural alagoana: ampliar a formação de artistas capazes de integrar canto, dança e atuação em produções de teatro musical”, aponta Diogo Oliveira. 

 

O diretor explica ainda que nesse contexto, o espetáculo ultrapassa a dimensão de uma apresentação artística e se consolida como resultado de um trabalho coletivo de aprendizado, experimentação e amadurecimento profissional.

 

“Embora a ambientação permaneça fiel ao Rio de Janeiro dos anos 1940, a identidade alagoana está presente na equipe que constrói o espetáculo, valorizando talentos locais e demonstrando a capacidade de produção cênico-musical do estado”, concluiu.

 

Estreia em Maceió e perspectivas de circulação

As apresentações dos dias 12 e 13 de dezembro marcam a estreia desta montagem inédita. A expectativa da produção é que o espetáculo possa circular posteriormente por outras cidades alagoanas, especialmente Arapiraca e Penedo, ampliando o acesso do público ao teatro musical.

 

Também está nos planos uma futura apresentação no Teatro Deodoro, em Maceió, após a conclusão das obras de reforma e reabertura do espaço. As novas temporadas, no entanto, ainda não têm datas confirmadas.

 

Com duração estimada de duas horas e vinte minutos, o espetáculo terá classificação indicativa de 14 anos e contará com recursos de acessibilidade, incluindo intérpretes de Libras, reserva de lugares para pessoas com deficiência e estrutura de acesso para pessoas com mobilidade reduzida.

 

Os ingressos estão disponíveis na plataforma Sympla. No lote inicial, o valor promocional é de R$ 60,00, com todos pagando meia-entrada.

 

A produção executiva é assinada por Diogo Oliveira e Alexandre Lima. O espetáculo conta com o apoio de Alexandre Lima Produções, Ozinformais e Tripinha – Espaço Gajuru Cultural.

 

Ao revisitar uma das obras mais conhecidas de Chico Buarque, a montagem alagoana convida o público a mergulhar em uma história que mistura música, ironia, crítica social e personagens marcantes. Uma viagem ao passado que, inevitavelmente, provoca reflexões sobre o Brasil de hoje.

 

 

SERVIÇO

Espetáculo: A Ópera do Malandro, de Chico Buarque

Datas: 12 e 13 de dezembro de 2026 (sábado e domingo)

Horário: 19h30

Local: Tripinha – Espaço Gajuru Cultural

Endereço: Bairro de Jaraguá, Maceió/AL

Duração: Aproximadamente 2h20

Classificação indicativa: 14 anos

Ingressos: R$ 60,00 (valor promocional do lote inicial, com todos pagando meia-entrada)

Vendas: Plataforma Sympla, com link disponível na biografia do Instagram da VOX music class

Acessibilidade: Intérpretes de Libras, espaços acessíveis e reserva de lugares para pessoas com deficiência

Realização: VOX music class

Produção executiva: Diogo Oliveira e Alexandre Lima

Fomento à formação artística: Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), Edital Estadual de Produção Cultural 5.2, por meio da Secult/AL

Apoio: Alexandre Lima Produções, Ozinformais e Tripinha – Espaço Gajuru Cultural

 

Ficha Técnica

Realização: VOX Music Class 

Direção cênica — coletiva e colaborativa: Homero Cavalcante; Carlos Alberto Barros; Alexandre Lima 

Assistência de direção cênica e preparação de elenco: Silvie Leal 

Direção musical: Diogo Oliveira 

Direção coreográfica: Wallison Melquezedeque 

Preparação coral: Jhonnatha Malaquias 

Arranjos vocais: Manoel Jr.; Jhonnatha Malaquias 

Piano: Franklin Muniz 

Violão: Chico Torres 

Percussão: Danny Gibi 

Cenografia: Carlos Alberto Barros; Alexandre Lima; Silvie Leal 

Figurinos: Viviane Barbosa 

Iluminação: Carlos Alberto Barros 

Produção executiva: Diogo Oliveira; Alexandre Lima 

Assistência de produção: Edson Silva 

Assessoria de comunicação: Keka Rabelo 

Comunicação e design gráfico: Marcella Góis; Anderson Henrique 

Fotografia: Steffanía Kieza 

Fomento ao projeto formativo: PNAB — Edital Estadual de Produção Cultural 5.2 / Secult Alagoas 

Apoio cultural: Alexandre Lima Produções; Ozinformais; Tripinha – Espaço Gajuru Cultural