No Dia de Finados, flores são deixadas sobre os túmulos como forma de expressar a saudade de quem partiu. A data reúne famílias nos cemitérios, entre recordações, orações e gestos de carinho que atravessam os anos.
Para a estudante de jornalismo Giovanna Dantas, de 22 anos, visitar o túmulo dos avós paternos é uma tradição familiar e uma maneira de manter vivo o vínculo com duas pessoas que marcaram sua infância.
“É uma forma de dizer: ainda lembro de vocês aqui na terra e sempre vou amá-los”, declara.
Desde 2019, um ano após a morte dos avós, em novembro de 2018, Giovanna vai ao cemitério acompanhada dos pais. O gesto se tornou parte da rotina da família na data e uma oportunidade de recordar os momentos vividos ao lado deles.
“Eles foram a minha base na infância. Convivia muito com eles e guardo memórias bonitas”, recorda.
Oito anos depois da perda, as flores continuam sendo uma forma de demonstrar um amor que, para a estudante, não terminou com a despedida.
Flores, lembranças e o movimento no comércio
A tradição de levar flores aos cemitérios no Dia de Finados também movimenta o comércio em Alagoas. Nas floriculturas, a procura por buquês, coroas e arranjos aumenta nos dias que antecedem o dia 2 de novembro, impulsionada por famílias que mantêm o costume de homenagear parentes e amigos.
Segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), as vendas de flores e plantas ornamentais para a data devem crescer 5,2% em 2026, na comparação com o ano passado.
Em Maceió, a expectativa é ainda maior na floricultura Meninas Flores e Mimos. A gerente e florista Alice Marques projeta um aumento de aproximadamente 80% nas vendas em relação a 2025.
“Embora o movimento não se compare ao volume de vendas de datas como o Dia das Mães e o Dia dos Namorados, Finados tem uma importância significativa para o nosso segmento. É uma data em que as flores representam uma forma de homenagear, recordar e manter vivo o carinho por pessoas que já partiram”, afirma.
Segundo a gerente, as encomendas começaram na segunda-feira (26), mas a maior procura é esperada a partir de sexta-feira (30), com movimento mais intenso no sábado (31) e no domingo (1º), véspera de Finados.
Entre os produtos, a florista destaca o crescimento da procura por coroas de flores. No ano passado, os pacotes de flores do campo e as unidades avulsas também estiveram entre as opções mais buscadas pelos consumidores.
Além do preço, a durabilidade influencia a escolha. Enquanto coroas de flores naturais podem durar de oito a dez dias, vasos com plantas podem permanecer conservados por até 20 dias ou mais, dependendo da espécie e dos cuidados.
O atendimento também envolve histórias de famílias que retornam ao estabelecimento todos os anos para manter a tradição.
“Para nós, cada encomenda tem um significado único, porque por trás de cada homenagem existe uma história, uma lembrança e um sentimento. Entendemos que não estamos entregando apenas flores, mas também fazendo parte de um momento importante para cada família”, destaca.
Para Alice, lidar com essas histórias exige um atendimento cuidadoso, principalmente por se tratar de uma data marcada pela saudade e pela perda de pessoas próximas.
Afinal, quanto custam as homenagens?
Quem pretende levar flores aos cemitérios de Maceió pode encontrar diferenças consideráveis nos preços. Uma pesquisa divulgada pelo Instituto de Proteção e Defesa do Consumidor de Alagoas (Procon-AL), na terça-feira (27), identificou ramalhetes a partir de R$ 85 e coroas de flores naturais com valores entre R$ 180 e R$ 1.700.
Os preços variam conforme o tamanho dos arranjos, as espécies utilizadas e o estabelecimento escolhido.
Além das floriculturas, o comércio informal também deve ganhar espaço no entorno dos cemitérios. A Prefeitura de Maceió anunciou a disponibilização de 140 vagas para ambulantes venderem flores, velas e água nos acessos aos nove cemitérios municipais durante o período.
Uma tradição que atravessa gerações
Celebrado em 2 de novembro, o Dia de Finados faz parte do calendário cristão e é dedicado à memória dos mortos. A data ocorre um dia após o Dia de Todos os Santos e tem origem em práticas religiosas que ganharam força na Europa medieval.
No Brasil, o costume de visitar cemitérios e levar flores aos túmulos atravessou gerações. A prática, registrada desde o século XIX, permanece entre as principais formas de prestar homenagens a familiares e amigos.
Para Giovanna Dantas, que mantém a tradição de visitar os avós paternos desde 2019, a data também é um momento de perceber que a saudade não é vivida de forma isolada.
Ao encontrar outras famílias nos cemitérios, a estudante reconhece sentimentos semelhantes aos seus, mesmo entre pessoas que não se conhecem.
“Sinto que todos estão compartilhando a mesma dor e, de certa forma, se reconfortando por saberem que a morte faz parte da vida e que sempre vão ter pessoas que sentirão saudades de você”, finaliza a estudante.
Foto de capa: André Luiz D. Takahashi
*Estagiária sob supervisão da editoria
