Postagens com teor de discriminação política publicadas nas redes sociais da diretora da Creche Escola Lucena Kids, localizada na Ponta Verde, em Maceió, geraram preocupação por parte de pais de crianças matriculadas na unidade e uma nota de repúdio do Fórum Alagoano em Defesa da Educação Infantil (Fadedi).

O conteúdo, divulgado nos stories do Instagram pessoal da gestora, professora Edvânia Lucena, repercutiram também nacionalmente, nesta quinta-feira (29).

Nas postagens, ela afirma que "não compra, nem faz negócio com petista", afirma que somente a direita é do bem e "não fecha com bandidos" e, em um dos stories, escreve: "Não perca seu tempo tentando mostrar a um porco como seria bom tomar um banho e jantar em um belo restaurante. Ele sempre vai preferri comer lavagem em um chiqueiro cheio de lama".

A reportagem tentou contato com a diretora da escola, por meio do telefone fixo da unidade, mas não obteve êxito. O espaço está aberto caso a professora queira se pronunciar.

 

 

Discurso de ódio

Na Carta de Repúdio endereçada à diretora, o Fórum Alagoano cita textualmente as publicações, defende o direito de todas as pessoas expressarem suas convicções políticas, mas chama a atenção para a gravidade do teor das mensagens "publicadas por uma profissional da educação, proprietária de instituição educativa, pessoa pública e que deve agir pela preservação dos valores da solidariedade e da fraternidade entre as pessoas como princípios que fundamentam a Pedagogia e a Educação como formação humana".

"Nos preocupa que essas mensagens tenham características típicas de discurso de ódio no plano discursivo e social, porque não se limitam a discordar de ideias políticas, construindo o discurso sobre um grupo inteiro como moralmente inferior, indesejável e digno de exclusão, o que é execrável numa postura de pessoa educadora", destaca trecho da nota.

Ainda conforme o texto, tal postura é especialmente grave quando parte de uma profissional quem dirige uma instituição de Educação Infantil e Ensino Fundamental que atende famílias de todas as orientações políticas e cujo dever é educar crianças pequenas sob o cultivo do respeito, do diálogo e da convivência com a diferença.  

Pedido de retratação

Alguns pais de crianças matriculadas na instituição particular também se manifestaram sobre o caso. Um deles destacou, em mensagem enviada em grupo de WhatsApp, que "embora as postagens tenham sido feitas em um perfil pessoal, ainda que fechado, elas foram compartilhadas com outras pessoas e chegaram até nós. Seu impacto alcança a relação de confiança entre a escola e as famílias".

Na mensagem, o responsável ressalta que a diretora ministraria uma palestra sobre bullying, "em uma evidente contradição entre ensinar respeito às diferenças e divulgar mensagens que promovem a exclusão e a desqualificação de pessoas por suas convicções políticas".

É solicitado, ainda, uma retratação expressa nas redes sociais nas quais os conteúdos foram divulgados e uma resposta direta às famílias que se sintam atingidas.  

Mensalidade e repercussão nacional

Em seu Instagram, um advogado pai de uma criança de seis anos que estuda na escola, também repercutiu as postagens. "Hitler não colocou os judeus nas câmaras de gás imediatamente, começou dessa mesma forma. Agora, imagine como uma criança, que ainda não entende as coisas, se sentiria em saber que seus pais não são bem vindos em um determinado lugar?".

Várias das famílias que têm crianças matriculadas na unidade afirmam que se sentiram diretamente atingidas, principalmente quando a gestora alega que “não faz negócio com petista”, mas aceita desses pais e responsáveis o pagamento de mensalidades de R$ 2.450 em média.

O caso ganhou repercussão nacional no blog do Ancelmo Gois, do jornal O Globo, com a divulgação de matéria intitulada "Em Maceió, direção de escola infantil ataca petistas nas redes e causa revolta entre pais".