Dos 190 pequenos produtores rurais acompanhados pelo Sebrae Alagoas durante o 4º ciclo do Programa Agente Local de Inovação Rural (ALI Rural), sete em cada dez adotaram melhorias inovadoras em seus negócios, seja na produção, na gestão ou na forma de comercializar seus produtos. Ao todo, 14 agentes atuaram em 33 municípios alagoanos, levando orientações e soluções para fortalecer a atividade econômica no campo.

 

O balanço também mostra que 43% dos participantes conseguiram abrir novos caminhos para vender sua produção, enquanto 33,5% registraram aumento no faturamento. Os indicadores refletem um trabalho de acompanhamento que considera as particularidades de cada propriedade e identifica oportunidades para melhorar a produtividade, reduzir custos e fortalecer a gestão.

 

Durante 12 meses, os agentes visitam os empreendimentos, aplicam ferramentas de diagnóstico e orientam os produtores na construção de soluções adequadas às suas necessidades, com atendimento gratuito pelo Sebrae.

Para a analista do Sebrae Alagoas e coordenadora do programa, Jacqueliny Martins, um dos principais desafios é ampliar a compreensão sobre o que significa inovar no ambiente rural. "Às vezes, o produtor acredita que inovação precisa ser algo grande, tecnológico, mas mudar uma forma de plantio, melhorar a gestão ou encontrar outro caminho para comercializar também é inovar. O papel do ALI é ajudá-lo a enxergar essas oportunidades dentro da própria propriedade e buscar soluções que façam sentido para o seu negócio", explica.

 

Desde que chegou a Alagoas, em 2023, o ALI Rural já alcançou, segundo Jacqueliny, cerca de mil produtores, consolidando uma metodologia que aproxima conhecimento técnico e práticas de inovação da agricultura familiar.

Na prática, os resultados aparecem em histórias de produtores que encontraram alternativas para aproveitar melhor o que já tinham e transformar ideias em novas fontes de renda. Em diferentes regiões de Alagoas, essas experiências mostram que pequenas decisões, quando acompanhadas de planejamento e orientação, podem mudar os rumos de um negócio rural.

 

Hélio Adelino dos Santos Silva

 

No Sítio Vô Luiz, na região de Pindorama, em Coruripe, o professor Hélio Santos encontrou na inovação uma maneira de transformar a propriedade herdada do avô em um negócio rural. Ao lado da esposa, decidiu investir na produção de alimentos e buscar apoio do Sebrae para tornar o pequeno lote rentável. Após um diagnóstico da propriedade, ingressou no ALI Rural, onde o acompanhamento do agente José Célio ajudou a organizar a gestão e identificar novas oportunidades produtivas.

 

"Passei a tratar o sítio como uma empresa, registrando atividades, horários, entradas, saídas, ganhos e perdas. Isso me ajudou a ter mais clareza sobre o que precisava fazer. Aprendi que não é necessário ter muita terra para produzir, porque mais vale um pouco bem gerido do que muito maltratado", conta Hélio.

 

Uma das principais mudanças foi a implantação de um tanque de tilápias em uma área pouco aproveitada. Além de gerar receita com a venda dos peixes, a água rica em nutrientes passou a ser utilizada na irrigação da lavoura de macaxeira, reduzindo a necessidade de fertilizantes. A propriedade também diversificou a produção com melancia, milho, feijão-de-corda e abóbora, enquanto projeta alcançar R$ 60 mil em faturamento em 2026, considerando as diferentes atividades.

Para o agente José Célio, o diferencial foi aproveitar melhor os recursos disponíveis. "Havia um espaço que não estava sendo utilizado e percebemos a possibilidade de implantar a piscicultura integrada à irrigação. Assim, ele consegue produzir peixes e aproveitar a água do tanque na lavoura, diminuindo a necessidade de adubo químico e potencializando uma área pequena", destaca.

 

Maria Edinete dos Santos

 

No povoado Água de Menino, em Teotônio Vilela, Maria Edinete dos Santos, conhecida como Dinete, transformou o sonho de vender galetos assados em uma nova fonte de renda para a família. Filha e neta de agricultores, ela já criava aves e carneiros ao lado do marido, Jackson, mas foi com o acompanhamento do agente Matheus da Trindade, pelo ALI Rural, que conseguiu planejar o negócio e lançar o Galeto da Dinete.

 

"Eu sempre tive vontade de trabalhar com galetos, mas não sabia por onde começar. Quando conversei com Matheus, ele me incentivou e ajudou a colocar as ideias em prática. Apesar de saber que já existiam pessoas vendendo na comunidade, resolvi apostar no meu tempero e tentar. Já na primeira venda, foi um sucesso, esgotou e ainda ficou gente querendo comprar", relembra.

 

Com o apoio do agente, Dinete desenvolveu a identidade visual do empreendimento, investiu na divulgação e aperfeiçoou os controles de despesas, vendas e lucros. O negócio conquistou clientes na comunidade e em localidades vizinhas, demonstrando como a organização e a comercialização podem agregar valor à produção rural. Segundo Matheus, a renda obtida já ajudou a família a custear parte de um curso de especialização da filha.

 

Com planos de ampliar a produção e conquistar novos clientes, Dinete celebra os primeiros resultados e mantém a ambição de crescer. "Quem sabe eu não serei uma das empresárias mais bem-sucedidas no ramo de galeto aqui de Alagoas? Esse é o meu sonho", afirma.

 

Com o encerramento do 4º ciclo, o ALI Rural dá continuidade ao trabalho de fortalecimento dos pequenos negócios do campo. O 5º ciclo já iniciou e conta com dez agentes locais de inovação, que já atuam na mobilização de novos produtores e na articulação com parceiros municipais. A proposta segue criando oportunidades de crescimento para o empreendedorismo rural em Alagoas.