A determinação de ampliar a votação até as 19h neste domingo (25) rompeu o padrão de encerramento das eleições brasileiras na era da urna eletrônica. Segundo a Folha de S.Paulo, campanhas e coordenadores eleitorais consultados não tinham conhecimento de uma decisão semelhante, com alcance nacional, durante o andamento do pleito. 

A medida foi tomada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), após denúncias de dificuldades no transporte de eleitores. As urnas eletrônicas começaram a ser utilizadas nas eleições municipais de 1996, há 30 anos.

Inicialmente, Zanin determinou a prorrogação por duas horas em todas as seções do país. Depois, o ministro e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, esclareceram que a votação deveria continuar até as 19h, no horário de Brasília, somente onde as urnas permaneciam abertas.

A orientação não prevê a reabertura dos equipamentos já encerrados. Os votos registrados nessas urnas serão computados e totalizados.

Em 2022, pedido foi rejeitado

Na eleição presidencial de 2022, o PT solicitou a extensão do horário após operações da Polícia Rodoviária Federal dificultarem o deslocamento de eleitores, principalmente no Nordeste. O então presidente do TSE, Alexandre de Moraes, negou o pedido. 

A decisão deste domingo também difere da regra que permite o voto após as 17h para quem já estava na fila. Nessa situação, os eleitores recebem senhas para garantir o atendimento, sem que o prazo seja ampliado para a chegada de outras pessoas.

Denúncias sobre transporte chegaram à Justiça

A coligação do presidente Lula (PT) recorreu ao STF alegando que a quantidade de ônibus disponíveis era insuficiente para transportar os eleitores. A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) também pediu mais tempo para votar em cidades de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, citando chuvas intensas, alagamentos e bloqueios de vias. 

Em Alagoas, a Federação Brasil da Esperança acionou a Justiça Eleitoral contra Maceió, Girau do Ponciano e Igreja Nova. A entidade denunciou falhas no transporte gratuito e pediu a regularização do serviço, além da apuração de possíveis irregularidades.