O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse a parlamentares e líderes partidários que apoia a proposta de Lula de tornar gratuito o transporte coletivo aos sábados e domingos. Ele afirma, porém, que a conta não pode recair sobre as emendas parlamentares e defende que o governo procure outro modo de custear o benefício.

Lula apresentou a gratuidade como desdobramento do fim da escala 6×1, que vai assegurar dois dias de descanso por semana aos trabalhadores. Na avaliação do governo, o passe livre permitiria que as pessoas aproveitassem esse período fora do emprego.

Para bancar o benefício, o petista sugeriu usar parte das emendas, que somam cerca de R$ 60 bilhões neste ano. O PT estima que o transporte gratuito nos fins de semana custaria R$ 16 bilhões por ano, pouco mais de um quarto desse total.

Picanha 2.0?

A sugestão enfrenta oposição na Câmara. Em reuniões com deputados, Motta tem dito que as emendas abastecem regiões carentes de recursos e que o Executivo não atende. Por isso, segundo ele, é preciso preservá-las e discutir alternativas de financiamento.

Líderes parlamentares ouvidos por O Antagonista rejeitaram a ideia do presidente Lula de usar as emendas para bancar a gratuidade no sistema de transporte público aos finais de semana, anunciada pelo petista.

Apesar disso, não há uma preocupação momentânea dos parlamentares com a ideia de Lula de apresentar uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para regular o tema. Na visão de líderes ouvidos por O Antagonista, essa proposta é mais um ‘balão de ensaio’, do que uma ideia que será de fato colocada em prática caso o petista seja reeleito.

Nas palavras de um importante líder do Centrão, a ideia de conceder transporte público durante o final de semana seria uma “nova versão da picanha de 2022”.