É na Escola Municipal Cícera Lucimar de Sena Santos, localizada na Avenida Gustavo Paiva, no bairro Mangabeiras, que a jornalista e profissional de marketing Fanny No Sekai encontra, atualmente, um novo caminho para aprender inglês.

Aluna do Núcleo de Línguas Estrangeiras da Secretaria de Educação de Maceió (Semed), ela conta que a experiência tem transformado sua relação com o idioma e despertado novas possibilidades pessoais e profissionais.

Apaixonada por idiomas e culturas estrangeiras desde cedo, Fanny já havia tentado estudar inglês em diferentes escolas. Apesar do interesse, ela encontrava dificuldades para se adaptar às metodologias utilizadas e acabava interrompendo os cursos. A experiência mudou, quando ela passou a frequentar as aulas oferecidas gratuitamente pela Prefeitura de Maceió.

“Eu sempre gostei muito de idiomas, sempre fez parte do meu dia a dia, mas especificamente com o inglês eu nunca tinha conseguido me identificar. Já havia passado por algumas escolas de idiomas, começava os cursos, mas acabava não me adaptando à metodologia de ensino”, relata.

Para Fanny, a metodologia utilizada pelo professor e coordenador do Núcleo de Línguas, Jefferson Simons, foi fundamental para transformar sua relação com o idioma.

“Quando eu entrei para o Núcleo de Línguas da Rede Municipal, foi diferente, porque a metodologia do Jeff é muito leve e dinâmica. Eu gostei muito da forma como ele interage com os alunos. Isso fez com que o aprendizado se tornasse mais prazeroso e despertasse em mim uma vontade maior de continuar estudando inglês”, afirma.

Ela se identificou tanto com o método que convenceu a mãe a ingressar no curso e, hoje, dividem a mesma sala no Núcleo de Línguas.

Aprendizado de forma natural

Nas aulas, o inglês é trabalhado por meio da comunicação, da música e de atividades práticas. A proposta ajudou Fanny a perder o medo de errar e a compreender que o aprendizado de um novo idioma acontece de maneira gradual.

Segundo ela, um dos diferenciais das aulas é a possibilidade de aprender sem a pressão de dominar o idioma imediatamente. “Comecei a perder o medo de errar. É como se você fosse um bebê que estivesse aprendendo a falar. Cada um tem o seu ritmo, cada um tem o seu processo”, explica.

A música também ocupa um espaço importante na forma de aprender o idioma. Fanny conta que sempre teve o hábito de ouvir músicas estrangeiras e decorar letras, o que acabou se tornando uma ferramenta de aprendizado. “Eu estudo me divertindo. Passou a ser uma experiência de fato prazerosa para mim”, destaca.

Entre as atividades desenvolvidas em sala, ela cita trabalhos com músicas e até uma atividade em que os estudantes precisaram preparar uma receita em inglês. A dupla de Fanny foi justamente sua mãe, que também participa do Núcleo de Línguas. “É uma forma de aprender, mas de maneira muito natural e leve. O inglês deixou de ser algo pesado para mim”, conta.

Evolução nos detalhes

 

A estudante diz que começou a perceber sua evolução quando passou a compreender palavras e frases em inglês sem precisar traduzir mentalmente tudo o que ouvia.

“São pequenas situações: uma palavra que você entende, uma frase que consegue formar, uma conversa que antes parecia impossível. Aí, quando você percebe isso, pensa: realmente, eu estou aprendendo”, relata.

As atividades musicais também contribuíram para o aprendizado da aluna. Fanny chegou a participar de apresentações de canto em inglês diante da turma, experiência que considera marcante para perceber o próprio desenvolvimento.

Para Jefferson Simons, a utilização da música como ferramenta pedagógica contribui diretamente para a prática da comunicação. “Na aula, nós trabalhamos a questão da prática, da comunicação. A gente canta, conversa e dialoga. A música é um excelente exemplo de como a comunicação em inglês pode acontecer de forma efetiva”, explica.

Segundo o professor, cantar permite trabalhar diferentes aspectos da língua, especialmente a comunicação oral. “Quando a gente está cantando, está praticando o inglês na sua totalidade. A música tem essa capacidade de entrar dentro da gente e fazer com que a pronúncia saia com a melhor qualidade possível”, afirma.

Jefferson destaca ainda a participação de Fanny nas atividades. “A Fanny tem essa capacidade tanto de falar inglês quanto também de cantar em inglês. Isso é muito bom”, diz.

Relação antiga

O interesse de Fanny por línguas estrangeiras começou com o espanhol. Ela desenvolveu fluência no idioma com o qual se identificou desde cedo por meio da música, da televisão e do contato com familiares que vivem na Europa.

“Eu comecei a estudar pelo espanhol e sempre me identifiquei muito com o idioma. Eu assistia muito a novelas mexicanas, como ‘Rebelde’, ouvia músicas em espanhol e reggaeton. Foi um idioma com o qual tive uma identificação muito grande”, conta.

O aprendizado foi incorporado gradualmente à rotina, até que o espanhol se tornou parte de sua vida profissional. Atualmente, Fanny também ministra aulas particulares do idioma.

O contato com familiares que vivem fora do Brasil também ampliou sua proximidade com outras culturas. “Eu sempre achei muito interessante perceber como o idioma está diretamente ligado à forma como as pessoas vivem. Pude ver de perto como eles se comunicam e enxergam o mundo. Isso acabou fortalecendo ainda mais o meu interesse por línguas e por conhecer diferentes culturas”, afirma.

Mãe acompanha a filha

 

Embora o contato familiar com outros idiomas tenha contribuído para despertar seu interesse, Fanny destaca a importância da mãe em sua trajetória pessoal e profissional.

Além de ser sua principal incentivadora, a mãe atualmente é sócia de Fanny em uma agência de marketing e também estuda inglês no Núcleo de Línguas. “Minha maior incentivadora de vida, sem dúvida, sempre foi minha mãe. Ela sempre me incentivou a estudar, a caminhar e a crescer na vida. Hoje, nós trabalhamos juntas, ela é minha sócia, me ajuda, e, além de trabalharmos juntas, ela também estuda comigo”, conta.

Inglês como ferramenta profissional

Formada em Jornalismo e com MBA em Marketing e Redes Sociais, Fanny considera o domínio do inglês cada vez mais importante para sua carreira. Na área de comunicação e marketing digital, ela acompanha tendências, ferramentas, estudos e referências produzidas também fora do Brasil. Para ela, compreender o idioma amplia o acesso a esse conteúdo.

“Muitas ferramentas, tendências, estudos e referências da área de comunicação e marketing estão em inglês. Eu também sou criadora de conteúdo nas redes sociais e, quando vou pesquisar referências e trends, principalmente do TikTok, muitas vezes elas vêm de fora”, explica.

A estudante acredita que o aprendizado poderá ampliar suas possibilidades profissionais e permitir novos contatos com empresas, projetos e pessoas de outros países. “Eu acredito, sim, que o inglês pode abrir novas possibilidades para mim, pode abrir novas portas para trabalhar com empresas, projetos e pessoas de outros países, além de ampliar minha possibilidade de consumir conteúdos e referências internacionais”, afirma.

Oportunidade gratuita

A história de Fanny faz parte da proposta do Núcleo de Línguas Estrangeiras da Secretaria de Educação de Maceió, iniciativa que oferece aulas gratuitas de idiomas à população.

O Núcleo funciona em três polos, localizados nos bairros Jacintinho, Poço e Benedito Bentes, com turmas nos períodos da manhã, tarde e noite. Além das aulas gratuitas, o material didático é fornecido pela Prefeitura de Maceió, contribuindo para ampliar o acesso ao ensino de línguas estrangeiras.

Para Fanny, a experiência representa a oportunidade de continuar aprendendo e, principalmente, de superar uma dificuldade que durante anos parecia estar relacionada à sua própria capacidade de aprender inglês.

“Para mim, o Núcleo de Línguas representa essa oportunidade de continuar aprendendo, superar uma dificuldade que eu tinha com o inglês e perceber que, com uma metodologia que faz sentido para mim, eu também consigo aprender e evoluir”, resume.