A senadora Dra. Eudócia (PSDB-AL) defendeu, em pronunciamento no Plenário do Senado, o fim da escala 6x1. Para ela, a mudança é uma questão de saúde e de dignidade, e as mulheres estão entre as mais afetadas pelo modelo atual, já que muitas encerram o expediente e começam uma segunda jornada em casa.

A parlamentar lembrou que já havia votado a favor da proposta em 2 de setembro, na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). Na ocasião, o colegiado aprovou a PEC 221/2019, que reduz a jornada máxima semanal e garante dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial.

Segundo a parlamentar, o debate vai além do número de horas trabalhadas. "O trabalhador não pode ser visto apenas como força de trabalho. Estamos falando de homens e mulheres que têm família, filhos, sonhos, responsabilidades e uma vida que existe para além do ambiente profissional", afirmou.

A senadora chamou atenção para a rotina das trabalhadoras alagoanas e nordestinas. Depois do expediente, muitas seguem cuidando dos filhos, dos pais e da casa, o que transforma o dia em uma jornada dupla ou até tripla.

"Quando discutimos a redução da jornada e a ampliação do tempo de descanso, estamos também discutindo qualidade de vida para milhões de mulheres brasileiras", disse.

Eudócia relacionou o excesso de trabalho ao esgotamento físico e emocional e ao estresse. Na avaliação dela, ter tempo para descansar, praticar atividade física e conviver com a família também é cuidar da saúde.

A senadora argumentou ainda que as empresas ganham com a mudança, com profissionais mais descansados, mais dispostos e com menos faltas. Mas foi enfática em um ponto: "A redução da jornada não pode significar redução salarial. Esse ponto precisa estar muito claro. Queremos avançar na qualidade de vida, preservando a remuneração e valorizando quem trabalha".

No encerramento, Eudócia se dirigiu aos trabalhadores alagoanos do comércio, da indústria, dos serviços, da saúde, do campo e do serviço público. "Vocês são parte essencial da força que movimenta este País", afirmou.

E resumiu sua posição em uma frase: "Todo trabalhador merece salário digno. Todo trabalhador merece respeito. Todo trabalhador merece descanso. E todo trabalhador merece qualidade de vida".