O Ministério Público Federal (MPF) acompanha, nesta quarta-feira (7), a apresentação pública do Inventário Participativo do Patrimônio Cultural Imaterial (IPCI) de Maceió, que reúne registros de referências culturais dos cinco bairros atingidos pelo afundamento do solo provocado pela mineração da Braskem.

A apresentação será realizada às 18h30, no Museu Théo Brandão, na Praça Sinimbu, no Centro de Maceió. Os documentos e registros produzidos durante a pesquisa também serão disponibilizados na plataforma do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Desenvolvido pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), por meio da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes), o inventário identificou 330 fazedores de cultura e 75 expressões culturais em Bebedouro, Bom Parto, Farol, Mutange e Pinheiro.

O levantamento reúne cerca de 5 terabytes de dados, além de mapas, entrevistas audiovisuais e outros registros relacionados às práticas culturais e aos espaços de convivência dos antigos moradores.

Memória dos bairros atingidos

A pesquisa ganhou importância diante da dispersão das comunidades que viviam nos cinco bairros afetados pelo desastre. Os fazedores de cultura identificados durante o levantamento passaram a morar em 61 destinos, dentro e fora de Maceió.

Com a mudança dos moradores, também foram afetados vínculos comunitários, práticas culturais e formas de transmissão da memória. Por isso, o inventário buscou registrar as manifestações culturais e a relação delas com os territórios onde foram construídas.

O trabalho começou com um censo e teve a metodologia adaptada ao longo da pesquisa, diante da dificuldade de localizar antigos moradores e da ausência de bases atualizadas. A participação das comunidades também foi utilizada para definir formas de acesso aos resultados do inventário.

Acervo ficará disponível ao público

Os dados produzidos serão incorporados à plataforma do Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC), mantida pelo Iphan. O material poderá ser consultado por moradores, pesquisadores, gestores públicos e pela sociedade.

A expectativa é que o acervo também sirva de base para pesquisas, políticas culturais e ações de preservação da memória dos bairros atingidos.

O inventário integra o eixo de Preservação da Cultura e Memória do Plano de Ações Sociourbanísticas (PAS), previsto no acordo socioambiental firmado para a reparação dos danos provocados pela mineração da Braskem.

Os dados e diretrizes produzidos pelo IPCI já vêm sendo utilizados em iniciativas culturais do Município de Maceió, do Estado de Alagoas e em outros projetos relacionados ao PAS.

Apresentação

A apresentação pública do inventário ocorre nesta quarta-feira (7), às 18h30, no Museu Théo Brandão, localizado na Praça Sinimbu, no Centro de Maceió.

O evento contará com a participação das procuradoras da República Julia Cadete, Juliana Câmara e Roberta Bomfim.

A iniciativa reúne MPF, Ministério Público do Estado de Alagoas (MP/AL), Iphan, Ufal e Fundepes, com recursos da Braskem previstos no acordo socioambiental.