O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) indeferiu a candidatura a deputada federal de Mariana de Souza (Progressistas) sob a justificativa de que sua campanha estaria sendo financiada e apoiada pelo Comando Vermelho (CV). 

A candidata é casada com Wilson Marques de Albuquerque, conhecido como "Zé Dirceu", apontado pela Secretaria de Estado da Segurança Pública de Alagoas (SSP/AL) como o número dois na hierarquia da organização criminosa em território alagoano. As informações foram divulgadas em reportagem do jornal O Globo.

De acordo com O Globo, o Ministério Público Eleitoral (MPE) destacou que a tentativa de ingerência do grupo criminoso no pleito não se restringe ao Rio de Janeiro. 

Em apurações anexadas ao processo, o MPE relembrou a interceptação telefônica de um áudio em que José Emerson da Silva, o "Nem Catenga", outra liderança da facção alagoana também escondida no Complexo da Penha, orientou um influenciador digital a se candidatar ao cargo de vereador em Maceió para atuar em benefício do grupo na capital alagoana.

Wilson Marques de Albuquerque está na condição de foragido da Justiça de Alagoas desde setembro de 2017, quando escapou do Presídio de Segurança Máxima 2, no Complexo Penitenciário de Maceió, no bairro Cidade Universitária, após serrar as grades de uma cela ao lado de outros 11 detentos. 

Com mandados de prisão em aberto por tráfico de drogas e roubo, "Zé Dirceu" já havia sido condenado a 15 anos de reclusão no estado por comandar o transporte de entorpecentes de dentro do sistema prisional, utilizando celulares para orientar a entrega de cargas de pasta-base de cocaína na capital.

Segundo os dados levantados pela investigação e citados por O Globo, o casal oficializou a união em janeiro de 2025 no Complexo da Penha, onde moravam. 

A defesa de Mariana recorreu da decisão do TRE-RJ alegando que ela desconhecia a real identidade e o histórico criminal do marido, afirmando que rompeu o relacionamento ao descobrir a situação de foragido. 

Em vídeo publicado nas redes sociais, a candidata negou qualquer ligação com a facção criminosa e alegou estar sendo vítima de discriminação por residir em uma comunidade. A defesa dos demais citados não foi localizada para manifestação.