A foto acima foi registrada há 19 dias na sede da entidade
A indignação e o sentimento de impotência tomaram conta dos membros, frequentadores e defensores da cultura em Alagoas na última semana. A Academia Maceioense de Letras (AML), guardiã da memória e da literatura na capital alagoana, tornou-se alvo de uma sequência inaceitável de ataques criminosos.
Registradas por câmeras de segurança, as invasões ocorreram em duas madrugadas distintas. Três criminosos agiram com extrema audácia no prédio da entidade, localizado na Rua General Hermes, no bairro da Cambona — uma região onde moradores e comerciantes relatam sobressaltos quase diários diante da insegurança generalizada.
Os prejuízos superam o valor financeiro: atingem diretamente a história e o fomento à literatura local. Para ter acesso ao interior do imóvel, os invasores quebraram telhas e destruíram o forro de PVC, deixando uma trilha de devastação.
Em artigo publicado nesta terça-feira (29) no jornal Tribuna Independente, o presidente da AML, Dr. Jorge Soares, expôs publicamente sua revolta diante do desaso:
“Os invasores quebraram telhas para alcançar o interior do prédio. Depois, destruíram o forro de PVC, deixando marcas de destruição em um patrimônio que pertence à cultura maceioense. Ar-condicionado, ventiladores, botijão de gás e outros equipamentos também foram danificados e subtraídos. Não bastasse a invasão, os criminosos levaram toda a fiação elétrica da sede, deixando às escuras a casa do saber.”
A remoção completa do cabeamento elétrico paralisou as atividades da instituição, privando pesquisadores, estudantes e a comunidade de um espaço voltado ao conhecimento.
Falha na Segurança e Cobrança de Resposta
A sequência de fatos expõe a fragilidade da segurança pública na região. Mesmo após a Polícia Militar ser acionada na primeira ocorrência e comparecer ao local, nenhuma medida preventiva ostensiva foi mantida. Como consequência, os criminosos retornaram no dia seguinte para concluir o saque ao patrimônio da entidade.
Diante do agravamento da situação, a nossa reportagem contactou diretamente o comandante-geral da Polícia Militar de Alagoas, Cel. Paulo Amorim, que se compromete a tomar providências imediatas e agendar uma reunião com a diretoria da AML para alinhar ações de apoio e reforço no policiamento local.
O presidente da instituição reforça que o crime contra a Academia é um ataque a toda a sociedade:
“A criminalidade não pode transformar nossas ruas, nossas casas e nossas instituições em territórios de medo. Muito menos pode atingir lugares que existem para cultivar educação, literatura e cidadania. Cada fio arrancado, cada telha quebrada e cada equipamento levado representa também uma agressão à memória cultural da capital do Estado.”
