O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou o discurso durante o ato político realizado na noite desta quinta-feira (24), na Praça Marechal Deodoro, em Maceió, para abordar temas que ultrapassaram a disputa eleitoral. Junto às criticas e ao discurso partidário, às apostas on-line e referências ao sistema financeiro, Lula também destacou a parceria com o grupo político aliado em Alagoas.
Um dos momentos de maior destaque foi quando o presidente falou sobre as bets e relatou casos de pessoas que, segundo ele, acumulam dívidas após começar a apostar. Lula afirmou que pretende combater o avanço das plataformas e classificou a dependência em jogos como um problema de saúde.
Lula contou que, na semana anterior, havia conversado com pessoas endividadas por causa das apostas. Entre os relatos mencionados, citou uma mulher de 27 anos que teria acumulado uma dívida de R$ 730 mil e um empresário que, segundo o presidente, chegou a dever R$ 2,2 milhões.
“A pessoa pensa que vai ganhar e vai apostando, vai apostando, até que a pessoa deve o que não tem”, afirmou.
Na sequência, Lula criticou a facilidade de acesso às plataformas por meio dos celulares e afirmou que o problema deixou de estar restrito a locais específicos de jogos.
“O cassino foi para dentro de casa, gente. O cassino está na mão do seu filho, na mão do seu neto, do seu marido e na sua mão”, declarou.
O presidente também rebateu o argumento de que as apostas seriam necessárias para financiar o futebol. Lula lembrou títulos conquistados pela seleção brasileira e por grandes clubes antes da popularização das bets e questionou o que, segundo ele, as plataformas teriam acrescentado ao esporte.
Referência ao Banco Master
Outro tema que apareceu no discurso foi o Banco Master. Sem citar diretamente o nome da instituição, Lula fez referência a um banqueiro envolvido no caso e afirmou que seu governo teria atuado para investigar e prender envolvidos em irregularidades relacionadas à Previdência.
“Eles criaram um banqueiro, ladrão, e eu transformei esse banqueiro no prisioneiro”, afirmou.
A declaração foi feita enquanto Lula criticava adversários políticos e mencionava investigações envolvendo descontos indevidos em benefícios de aposentados. O presidente apresentou o episódio como exemplo de uma atuação que, segundo ele, diferencia seu governo de administrações anteriores.
Recado sobre Alagoas
Em outro momento do discurso, Lula voltou a destacar a relação construída com os aliados políticos alagoanos e citou obras e investimentos realizados no estado durante seus governos.
O presidente mencionou o governador Paulo Dantas e os senadores Renan Calheiros e Renan Filho, candidato ao Governo de Alagoas. Ao falar sobre a infraestrutura hídrica, destacou obras relacionadas ao Canal do Sertão e à expansão da oferta de água no estado.

Lula também fez referência ao histórico de dificuldades econômicas enfrentadas por Alagoas e afirmou que a presença de investimentos federais ajudou a transformar a realidade local.
“Eu tenho um tempo e eu quero dar os parabéns a você pela revolução que você fez dentro de Alagoas”, disse Lula ao se dirigir ao governador Paulo Dantas.
Educação, emprego e terras raras
O discurso ainda percorreu temas como educação, geração de empregos e desenvolvimento industrial. Lula defendeu a ampliação das universidades e dos institutos federais e falou sobre a formação de profissionais para setores considerados estratégicos, como a indústria digital, a transição energética e a exploração de terras raras.
Ao abordar os minerais críticos, o presidente afirmou que o Brasil precisa conhecer melhor suas reservas e industrializar esses recursos para evitar que a matéria-prima seja explorada sem que o país fique com parte maior da riqueza gerada.
Apesar de o ato ter sido marcado pela presença de aliados e pelo pedido de apoio eleitoral, Lula dedicou boa parte de sua fala a temas nacionais, especialmente às apostas on-line, à Previdência e ao desenvolvimento econômico. A passagem pela capital alagoana terminou com o petista junto ao público e ocorreu na reta final da campanha para o primeiro turno das eleições de 2026.
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