Quem busca apartamento para alugar em Maceió em 2026 encontra um mercado completamente diferente do que existia três anos atrás. O aluguel residencial na capital alagoana subiu 12,22% em 2025, segundo o Índice FipeZAP, quase o triplo do IPCA de 4,26% no mesmo período. Em dezembro de 2025, só naquele mês, o aumento mensal foi de 2,24%. A cidade terminou o ano na 10ª posição entre as capitais brasileiras com maior valorização de aluguel, à frente de Salvador, Recife e João Pessoa.
O metro quadrado mediano de aluguel em Maceió chegou a R$ 52 por mês em setembro de 2026. Um apartamento de 50 metros quadrados custa em média R$ 2.600 mensais antes do condomínio. Na Pajuçara, o apartamento típico sai por R$ 4.200 por mês. Na Ponta Verde, R$ 4.500. No Jatiúca, R$ 4.100.
O que explica essa transformação não é um fator único. É uma combinação de três movimentos que aconteceram ao mesmo tempo e que o mercado ainda está processando.
O efeito Braskem e a oferta que sumiu
Em 2023 e 2024, mais de 50 mil moradores foram removidos de bairros afetados pelo colapso do solo causado pela mineração da Braskem. O Pinheiro, o Mutange, o Bebedouro e o Bom Parto perderam sua população de forma compulsória. Esses moradores precisaram ir para algum lugar. E foram, em grande parte, para os bairros que ainda tinham estrutura: Jatiúca, Ponta Verde, Pajuçara, Cruz das Almas.
A demanda cresceu abruptamente. A oferta não acompanhou. Resultado direto: preços subiram. O professor Dilson Ferreira, da UFAL, identificou esse mecanismo com clareza: o colapso dos bairros afetados redirecionou a atenção do mercado para outras localidades, beneficiando principalmente as áreas litorâneas e as partes altas da cidade. O efeito Braskem não destruiu só imóveis. Destruiu oferta disponível e criou pressão de demanda que o mercado ainda não absorveu completamente.
O bairro mais caro do Nordeste fica em Maceió
Esse dado ainda surpreende quem olha de fora. A Pajuçara, bairro litorâneo de Maceió com praias de piscina natural e jangadas características, tem o metro quadrado mais caro de todo o Nordeste. O preço médio chegou a R$ 14.929 por metro quadrado em 2026, superando Meireles em Fortaleza, com R$ 12.974, Ponta D'Areia em São Luís, com R$ 13.166, Cabo Branco em João Pessoa, com R$ 12.369, e Barra em Salvador, com R$ 12.311.
Maceió, que é a quinta economia do Nordeste, tem o bairro mais caro da região. Essa aparente contradição tem uma explicação estrutural: a Pajuçara é um bairro pequeno, com oferta de imóveis limitada, alta demanda turística por aluguel de temporada e praticamente nenhuma possibilidade de expansão horizontal. A escassez geográfica combinada com a demanda turística e o deslocamento dos moradores afetados pela Braskem criou um mercado onde o preço não tem por que cair.
O boom dos estúdios e o mercado de temporada
Um fator adicional que pressionou o preço do apartamento para alugar em Maceió foi a expansão acelerada dos imóveis de aluguel por temporada. Estúdios de até 30 metros quadrados são anunciados na orla por valores entre R$ 400 mil e R$ 500 mil, com aluguel que ultrapassa R$ 4 mil por mês na alta temporada. A rentabilidade atraiu investidores de fora do estado, que compraram imóveis para temporada e retiraram esses apartamentos do estoque de locação residencial convencional.
Para quem precisa de um apartamento para morar em Maceió com contrato de 12 ou 30 meses, esse movimento é negativo. Cada estúdio convertido para temporada é uma unidade a menos disponível para o inquilino de longo prazo. A demanda dos dois mercados, o morador e o turista, disputa o mesmo estoque em bairros onde novos terrenos são escassos.
O que o comprador de fora precisa saber
Maceió tem uma particularidade que poucas capitais nordestinas replicam: a beleza natural é o produto, não o contexto. As piscinas naturais da Pajuçara, as praias calmas de Jatiúca e a lagoa Mundaú são atributos que não dependem de política de marketing para existir. Isso sustenta o turismo de forma estrutural e, por consequência, sustenta o mercado imobiliário de forma independente do ciclo econômico nacional.
Para quem busca apartamento para alugar em Maceió para moradia de longo prazo, o mapa mais vantajoso em 2026 passa pelos bairros que combinam infraestrutura razoável com preço abaixo da orla. Antares e Serraria são indicados por especialistas locais como as melhores opções de custo-benefício para quem quer morar bem sem pagar o teto da Pajuçara. Cruz das Almas aparece como a aposta de maior potencial de valorização nos próximos 12 meses, especialmente para quem considera comprar. Benedito Bentes e Cidade Universitária têm os menores preços por metro quadrado, adequados para quem prioriza custo acima de localização.
O que os dados de 2026 confirmam
Em setembro de 2026, Maceió tem 1.895 apartamentos anunciados para venda em 28 bairros, com metro quadrado mediano de R$ 10 mil. Para aluguel, são 542 anúncios com mediana de R$ 52 por metro quadrado ao mês. O rendimento bruto de quem compra para alugar fica em 6,24% ao ano antes de impostos e vacância, acima da média nacional para imóveis residenciais.
A diretora da RE/MAX Maceió, Erika Silva, resume bem o momento: quando observamos Maceió crescendo quase três pontos percentuais acima da média nacional, fica claro que a cidade está em um ciclo próprio de valorização, com demanda consistente e boa capacidade de absorção dos reajustes. Para o inquilino que está pesquisando o mercado, esse ciclo próprio significa uma coisa prática: o apartamento para alugar em Maceió vai continuar mais caro do que parecia razoável há três anos. O efeito Braskem não tem reversão. O turismo não vai desacelerar. E a orla não tem mais terreno para crescer.
