Apontado como um dos principais alvos da Operação Icarus, Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, conhecido como “Boss”, foi preso nessa segunda-feira (21) em uma cobertura de luxo em Maceió. Segundo as investigações, ele atuava como uma espécie de ponte entre integrantes do Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro, e do Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo.

A prisão em Alagoas ocorreu após a polícia encontrar um caderno de anotações pertencente ao traficante Marcos Antônio Firmino da Silva, o “My Thor”, apontado como um dos chefes do Comando Vermelho no Rio. Mesmo preso na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, ele mantinha contato com “Boss”, segundo a investigação.

As anotações, de acordo com a Corregedoria da Polícia Civil do Rio de Janeiro, detalhavam pagamentos feitos por “My Thor” a Laércio. A partir desse material, os investigadores conseguiram identificar a participação do suspeito preso em Maceió na estrutura financeira e logística da organização criminosa.

Segundo a polícia, “Boss” coordenava a compra e a venda de drogas, além da movimentação e ocultação de recursos, diretamente do apartamento de luxo onde vivia na capital alagoana.

“Ele controla com mão de ferro a atuação desse grupo. É interessante dizer que ele também faz tudo isso do alto de sua cobertura em um prédio de luxo em Alagoas”, afirmou o corregedor-geral da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Alexandre Capote.

Ainda segundo as investigações, “Boss” seria responsável por viabilizar grandes remessas de cocaína de São Paulo para comunidades controladas pelo Comando Vermelho no Rio de Janeiro. Ele faria a ligação entre traficantes e integrantes responsáveis pela logística e pelos pagamentos das cargas.

Um dos envolvidos seria o policial civil Paulo Rafael Fernandes, que, conforme a investigação, utilizava uma empresa para realizar pagamentos relacionados às cargas de cocaína. O agente já havia sido abordado em abril deste ano, no Amazonas, próximo à fronteira com a Colômbia, quando estava em um avião fretado.

Policiais também são investigados

A apuração, que já vinha sendo realizada há cerca de dois anos, também revelou a participação de agentes públicos do Rio de Janeiro no esquema.

De acordo com o Ministério Público, um policial civil teria movimentado uma quantia milionária em dois anos e atuaria na ligação entre a origem das drogas e a distribuição dos entorpecentes no Rio e em outros estados.

Dois policiais militares também foram alvos de mandados de prisão. Um deles, segundo as investigações, é um segundo-sargento lotado no Batalhão do Recreio dos Bandeirantes. O militar foi preso enquanto trabalhava em um hospital público na Barra da Tijuca.

Conforme o promotor de Justiça Décio Alonso, os policiais militares investigados teriam participação na logística do grupo, incluindo escolta de cargas e criminosos e segurança armada.

As investigações apontam ainda que empresas dos setores de transporte e logística teriam sido utilizadas para viabilizar o deslocamento de drogas entre diferentes estados e para ocultar recursos relacionados ao tráfico.

A Operação Icarus busca esclarecer a estrutura financeira, logística e operacional utilizada pelas organizações criminosas e seus possíveis vínculos com agentes públicos.

 

*com Agências