A Federação Alagoana de Futebol (FAF) se posicionou contra uma eventual ampliação das restrições ao mercado de apostas esportivas no Brasil. Em nota publicada nesta quinta-feira (17), a entidade afirmou que uma redução das receitas das bets pode afetar principalmente clubes de menor porte.

A manifestação ocorreu após alguns dos principais clubes brasileiros defenderem a manutenção do mercado regulado de apostas. Para a FAF, os recursos das empresas autorizadas passaram a integrar o planejamento financeiro do futebol e também alcançam equipes do interior, divisões de acesso e competições de menor visibilidade.

Segundo a Federação, uma retirada repentina desses investimentos poderia comprometer despesas como manutenção de estruturas, categorias de base, futebol feminino e projetos sociais.

A FAF reconheceu os problemas relacionados às apostas e defendeu o reforço da fiscalização, da prevenção e da proteção aos consumidores. A entidade, porém, afirmou que o combate deve priorizar as plataformas clandestinas.

Na avaliação apresentada na nota, restringir as empresas regularizadas não acabaria com a procura por apostas e poderia levar usuários para sites que operam fora da regulamentação.

A publicação gerou reações negativas entre torcedores alagoanos. Nos comentários, internautas criticaram a posição da Federação e defenderam restrições ao mercado de apostas.

“Que piada. Parece que o futebol foi inventado junto com as bets. Existem outros patrocinadores, tem que acabar sim”, comentou um internauta.

Outra torcedora também questionou o posicionamento da entidade. “Que nota vergonhosa. Pelo fim das bets que estão destruindo várias famílias! O futebol existia muito antes delas e vai continuar existindo sem elas”, escreveu.

Propostas em discussão

A relação entre apostas e futebol também está no centro das propostas discutidas no Congresso. No início de setembro, uma comissão do Senado aprovou um texto que prevê restrições à publicidade de bets e proíbe o patrocínio de empresas do setor a clubes, federações, ligas, competições e transmissões esportivas. A proposta ainda precisa avançar na tramitação legislativa.

O governo federal também avalia novas restrições para jogos e apostas on-line diante das preocupações sobre os impactos do setor entre os consumidores.

A Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda vem adotando medidas contra operadores não autorizados, incluindo ações para dificultar a atuação de plataformas clandestinas.

Na nota, a FAF também argumentou que mudanças nas regras poderiam afetar contratos de patrocínio já firmados, já que clubes e entidades esportivas fizeram seus planejamentos financeiros considerando essas receitas.

Confira a nota na íntegra:

“O FIM DO FUTEBOL BRASILEIRO

O futebol acompanha com atenção as discussões sobre o mercado de apostas no Brasil e reconhece os desafios que sua expansão traz. Os impactos sociais, especialmente sobre as pessoas mais vulneráveis, exigem atenção permanente do Poder Público, das empresas e de todos os setores envolvidos.

Por isso, é fundamental aprimorar as medidas de proteção, fiscalização, educação e prevenção, para reduzir riscos e garantir um mercado responsável.

O Brasil escolheu enfrentar esse desafio pela regulamentação. A regulamentação estabeleceu regras rígidas para as empresas autorizadas a atuar no país, com regras claras que permitem ao Estado fiscalizar o mercado, responsabilizar quem descumpre a lei e combater a atuação de plataformas clandestinas.

Importante ressaltar que, nos últimos anos, o investimento das empresas de apostas autorizadas tornou-se uma das principais fontes de receita do esporte. Este investimento impulsionou o futebol brasileiro de tal forma a dominar o cenário sul-americano em competições como a CONMEBOL Libertadores e a CONMEBOL Sul Americana e a colocar clubes brasileiros em posição de protagonismo.

Essa presença não se limita aos maiores clubes. Os recursos também alcançam equipes de menor expressão, divisões de acesso e competições com menor exposição comercial. Para muitos destas agremiações, especialmente aquelas localizadas no interior do país, não existe hoje outro segmento econômico capaz de substituir imediatamente esse investimento.”

*Estágiária sob supervisão da editoria