A disputa parece evidente: quem vai tomar o lugar de Alexandre de Moraes, no STF, na base do “eu posso, eu faço”?
As sucessivas decisões, confusas e contraditórias entre si, comprovam a velha máxima de que hermenêutica é como umbigo: cada um tem o seu e dele faz uso ao bel prazer.
(Qual será a do ministro Fachin?)
Mendonça deu seu toque e apresentou sua candidatura ao posto. Já Flávio Dino chutou o balde, mas não tem poder, ainda, para definir quem a água vai molhar.
Objetivamente, os dois personagens centrais desse embate – Moraes e Mendonça -, por motivos diferentes, perderam a capacidade de decidir de forma isenta as questões postas.
Moraes, aliás, já nem devia estar mais lá.
Desde que foi revelado o contrato da sua esposa com o banqueiro Vorcaro, ele deveria ter pedido a toga e ter dado adeus a esse emprego fabuloso.
Mas como um “césar”, permaneceu no posto, esquecendo que “à mulher de...”
Seu adversário, Mendonça, por sua vez, vem sendo acusado de há muito de retardar alguns inquéritos e fazer outros avançarem no ritmo que bem definiu.
Ressalte-se: ele não é acusado de corrupção, mas, claramente, tem demonstrado que tem lado (político) e que disputa o poder por lá.
O STF precisa passar por uma limpeza geral, sem sofreguidão, mas sem mais tardar.
O que não precisa mesmo é um autocrata, afinal, como muitas vezes já foi dito, não há um Torquemada do bem.
Que o todo, o colegiado, seja maior do que suas partes.
(E o Toffoli, hein?)
