As notificações de eventos adversos relacionados ao uso de cosméticos mais que dobraram no Brasil em um ano. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registrou 592 relatos envolvendo esses produtos, contra 257 no período anterior — um crescimento de aproximadamente 130%.
Os dados fazem parte do balanço do primeiro ano de vigência da RDC 894/2024, norma que estabeleceu novas regras para o acompanhamento da segurança de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes depois que eles chegam ao mercado.
Segundo a Anvisa, o aumento das notificações não significa necessariamente que os cosméticos passaram a causar mais problemas. Para a agência, os números mostram que empresas e órgãos de vigilância estão monitorando e comunicando com mais frequência possíveis riscos relacionados aos produtos.
O crescimento mais expressivo ocorreu justamente entre as empresas do setor. No primeiro ano de vigência das novas regras, elas foram responsáveis por 536 notificações, contra 115 no período anterior. O aumento foi de cerca de 366%.
Com isso, a participação das empresas no total de registros passou de aproximadamente 45% para mais de 90%. A ampliação das notificações, segundo a Anvisa, permite identificar possíveis riscos mais rapidamente e adotar medidas preventivas para proteger os consumidores.
As novas regras também ampliaram os tipos de ocorrências que devem ser acompanhadas. Além das reações adversas, o monitoramento inclui casos de produtos que não apresentam o efeito esperado, intoxicações, exposições de trabalhadores e problemas técnicos que possam provocar impactos à saúde.
A Anvisa também informou que capacitou 407 profissionais das vigilâncias sanitárias estaduais e municipais entre 2025 e 2026. No período, foi realizada ainda a primeira inspeção piloto voltada às Boas Práticas de Cosmetovigilância.
A chamada cosmetovigilância acompanha os produtos depois que eles já estão sendo utilizados pela população. O objetivo é reunir informações sobre possíveis problemas durante o uso e, a partir desses dados, identificar riscos e orientar medidas de proteção à saúde.
*Com assessoria
