Três das 23 empresas de consórcio acionadas pela Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE/AL) chegaram a um acordo para adotar medidas contra fraudes na contratação do serviço. Ademicon, Eutbem e Tágide deverão reforçar os alertas aos clientes e a análise dos contratos antes da formalização.
A ação civil pública foi apresentada após o aumento de casos do chamado “golpe do consórcio” no estado. Segundo a Defensoria, consumidores são atraídos pela promessa de receber rapidamente dinheiro, carros ou imóveis, mas acabam vinculados a contratos sem liberação imediata do bem.
O consórcio não funciona como financiamento. Para ter acesso ao crédito, o participante precisa ser contemplado por sorteio ou oferecer um lance — condição que, conforme os relatos recebidos pela instituição, seria omitida ou distorcida durante a negociação.
As vítimas geralmente procuram empréstimos ou financiamentos e encontram anúncios em sites de venda ou vendedores que oferecem o serviço nas ruas.
“Nessas situações, vendedores prometem falsamente que o bem será entregue de forma imediata ou poucos dias após a assinatura do consórcio”, afirmou o defensor público Othoniel Pinheiro.
A Defensoria aponta que negócios fechados por vendedores autônomos podem chegar às administradoras sem informações claras sobre a abordagem feita ao consumidor. A instituição cobra das empresas uma fiscalização mais rigorosa antes da validação dos contratos.
Com os acordos, Ademicon, Eutbem e Tágide assumiram o compromisso de ampliar as medidas de prevenção e deixar mais claras as condições do serviço. A ação segue em relação às outras empresas citadas no processo.
O golpe do consórcio também foi alvo de uma operação da Polícia Civil de Alagoas em outubro de 2025. Suspeitos identificados como falsos vendedores foram presos por estelionato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
